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Saúde Semanal

Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença. E, como técnica auxiliar de saúde, aqui estou para ajudar.

Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença. E, como técnica auxiliar de saúde, aqui estou para ajudar.

Saúde Semanal

07
Mai09

Há gorduras e gorduras..

Flor

As gorduras têm má fama, mas nem todas a merecem. Algumas são até benéficas para o organismo, actuando sobre o colesterol. Não podem é ser consumidas em excesso…

 
 
 
O segredo está no equilíbrio: a má fama das gorduras, associada ao risco de doença cardiovascular, não deve fazer esquecer que elas são necessárias ao funcionamento do organismo. É que as gorduras constituem uma importante fonte de energia e intervêm na produção das membranas celulares e de outros componentes orgânicos, semelhantes a hormonas e que ajudam a regular a pressão sanguínea, os batimentos cardíacos, a coagulação do sangue.
Além disso, também contribuem para a saúde do sistema nervoso, da pele e do cabelo, ajudam a proteger órgãos vitais e são responsáveis pela sensação de saciedade que emerge após cada refeição.
O problema está no consumo excessivo. É aí que a saúde fica ameaçada. Os quilos vão-se acumulando, daí à obesidade é um passo, a partir do qual se abre caminho a doenças várias, das cardiovasculares às oncológicas, da diabetes à apneia do sono e à osteoartrose.
 
As más da fita
São as chamadas gorduras saturadas: são estruturas quimicamente estáveis, sólidas à temperatura ambiente. É o caso da gordura da carne e dos produtos lácteos. Quando demasiado abundantes na alimentação, fazem disparar os níveis de colesterol total e de baixa densidade (o chamado “mau” colesterol). Tecnicamente, o colesterol não é uma gordura, sendo produzido pelo próprio organismo e fornecido por alimentos de origem animal gordo. São eles precisamente os que contêm mais gorduras saturadas.
Há uma outra forma de ingerirmos estas gorduras nocivas: os produtos que são sujeitos a um processo químico designado hidrogenação. Trata-se da introdução em óleos vegetais de hidrogénio com o objectivo de reduzir a probabilidade de os alimentos ficarem rançosos. Bolachas, biscoitos e bolos, mas também batatas fritas e massas pré-confeccionadas, são exemplos do uso desta tecnologia que dá origem a um novo tipo de gorduras — as gorduras hidrogenadas ou “trans”, do prefixo latino que indica que sofreram uma transformação radical na sua estrutura. Estas são as novas más da fita, com a particularidade de estarem escondidas numa infinidade de alimentos que fazem parte do nosso dia-a-dia.
 
A outra face
O lado positivo das gorduras é protagonizado pelas não saturadas: caracterizam-se por não endurecerem à temperatura ambiente e/ou a temperaturas baixas, encontram-se em quantidades significativas em alimentos derivados das plantas. Podem ser monoinsaturadas, como azeite, ou polinsaturadas, como os óleos vegetais. Há ainda que contar com as que são fornecidas pelos óleos dos peixes gordos, nomeadamente os ácidos gordos ómega 3.
A gordura mais saudável é, indiscutivelmente, o azeite. São diversos os seus benefícios, a começar pela prevenção da doença coronária e da aterosclerose, passando pelo efeito ao nível do funcionamento do pâncreas, da vesícula biliar e do intestino e terminando no retardamento do envelhecimento cutâneo, devido às suas propriedades antioxidantes.
Além disso, favorece a absorção de cálcio e é uma boa fonte de vitaminas.
Não deixa, no entanto, de ser uma gordura, pelo que o azeite é para usar sem abusar. O mesmo é válido para os óleos vegetais. Cem por cento naturais, são extraídos de frutos ou sementes como o girassol, o amendoim, o milho e a soja. Todos eles são ricos em ácidos gordos essenciais que ajudam a prevenir doenças cardiovasculares, ao contribuírem para a obstrução das artérias, bem como em vitamina E, um auxiliar precioso contra o envelhecimento dos tecidos do organismo. Além disso, o óleo de milho é abundante em vitamina A, protectora da visão.
 
O equilíbrio
Em matéria de gorduras, a palavra de ordem é moderação. Assim, importa que elas não excedam 35 por cento das nossas calorias diárias, mas sem cair na tentação de as eliminar da dieta: é que as gorduras fazem mesmo falta ao bom funcionamento do organismo.
Importa igualmente que haja um equilíbrio entre as diversas fontes de gordura, tendo noção de que um mesmo alimento pode fornecer os vários tipos de gordura. É o caso da manteiga, que contém gorduras insaturadas, mas também saturadas.
Há que fazer escolhas e escolhas saudáveis. Tendo em atenção que não se pode cortar nas gorduras nem se podem substituir umas por outras. Porque as insaturadas têm menos efeitos adversos sobre o sistema cardiovascular, mas não podem ser consumidas em excesso. Sob pena de se aumentar significativamente a dose diária de calorias, o que também dá origem a excesso de peso e acaba por ser prejudicial para a saúde. É tudo uma questão de equilíbrio!
 
Fritar, sim ou não?
Uma das questões que se coloca quando se fala de gorduras e do seu lugar na alimentação envolve a fritura. É certo que há formas de confeccionar os alimentos mais saudáveis: cozê-los e grelhá-los ou estufá-los e assá-los (desde que com pouca gordura). Mas não é preciso abdicar da fritura, o que é preciso é respeitar algumas regras para um bom uso dos óleos:
·         O de girassol é o mais versátil, mas o de amendoim suporta uma utilização mais intensiva;
·         O óleo deve ser mudado sempre que se frita peixe, o óleo de fritar batatas pode ser utilizado, no máximo, cinco vezes;
·         Não se deve misturar óleo novo com óleo já usado;
·         O óleo deve ser renovado sempre que começa a ficar mais escuro;
·         A temperatura máxima deve ser respeitada: por exemplo, 160º para batatas cruas, 170º para pastéis ou panados, 180º para batatas congeladas;
·         Mas também se pode fritar em azeite, que tolera temperaturas até cerca de 200º sem se alterar;
·         Os alimentos fritos devem ser bem escorridos: uma gota de óleo equivale a 72 calorias.
26
Mar09

Celulite, a outra

Flor

A celulite mais conhecida é a que se evidencia nos corpos femininos, denunciando um inestético excesso de gordura. Mas há outra: uma infecção bacteriana das camadas profundas da pele que afecta sobretudo as pernas e que, se não tratada, pode ser uma ameaça à vida.

  

 
É o mesmo nome para duas condições bem distintas, nas causas e, sobretudo, nas consequências. A celulite de que mais se fala – e que mais se vê nos dias quentes de Verão – é causada por cordões” de tecido fibroso que ligam a pele ao músculo que se encontra por baixo do tecido adiposo, puxando a pele para baixo, com as células de gordura no meio. O acumular de células adiposas faz com que se empurrem contra a pele, enquanto os cordões fibrosos puxam parte da pele para baixo, conferindo-lhe o aspecto irregular semelhante a casca de laranja.
Mas há outra celulite, menos conhecida mas comum e bastante mais grave. É a que resulta da acção de bactérias como os estreptococos e os estafilococos, que penetram na pele infectando a sua camada mais profunda e os tecidos subcutâneos.
A pele é uma barreira eficaz contra as agressões, nomeadamente contra os agentes patogénicos. Contudo, basta uma pequena quebra nesta barreira – um corte, uma picada, um arranhão ou uma úlcera – para que as bactérias possam penetrar e multiplicar-se, espalhando-se e causando infecção. Pele vermelha, inflamada e quente são os sintomas desta celulite que, tal como a outra, prefere as pernas. Mas não as coxas – a infecção instala-se sobretudo na parte inferior das pernas, começando junto aos tornozelos e tornando-se mais visível nas canelas (o lado frontal das pernas). Com o avançar da inflamação, a pele ganha uma consistência mole, podendo formar-se bolhas. Dor e febre são frequentes. Aliás, uma sensação febril costuma emergir antes das alterações cutâneas.
Qualquer pessoa pode ter celulite. Ao contrário da outra, que prefere o género feminino, esta tanto se manifesta em mulheres como em homens.
Mas há pessoas com uma maior vulnerabilidade: são as que têm o sistema imunitário debilitado (por estarem a fazer quimioterapia, por exemplo), as que sofrem de diabetes mas não a controlam devidamente, as que têm regularmente as pernas inchadas ou têm excesso de peso, bem como quem têm episódios frequentes de pé-de-atleta. É que esta infecção fúngica propicia lesões na pele (sobretudo entre os dedos do pé) que podem ser uma porta de entrada para as bactérias causadoras da celulite.
Os idosos apresentam também alguma fragilidade, na medida em que o sistema circulatório perde alguma eficácia, atrasando a chegada dos glóbulos brancos (células sanguíneas que combatem as infecções) às diversas regiões do corpo. Apesar do risco associado à idade, as crianças não estão a salvo deste tipo de celulite: nelas a situação adquire carácter de urgência, devendo, perante os sintomas, ser procurada de imediato ajuda médica. Nas crianças e adultos, a cara é mais frequentemente afectada.
 
Uma ameaça potencial
Aliás, se a pele se apresentar vermelha, inchada, quente e mole deve ser consultado o médico o mais cedo possível. É que é fundamental identificar e tratar esta celulite precocemente, dado que a infecção pode espalhar-se pela corrente sanguínea e dar origem a uma situação potencialmente fatal.
O tratamento faz-se à base de antibióticos, dado que se trata de uma infecção bacteriana: é que estes medicamentos são concebidos especificamente para combater bactérias, não se revelando eficazes em doenças causadas por vírus. Na maioria das vezes, são prescritos antibióticos orais (comprimidos ou cápsulas), sendo fundamental tomá-los na dose e pelo tempo recomendados pelo médico, mesmo que os sintomas melhorem. Os casos mais graves podem requerer internamento e a administração do medicamento por via intravenosa (injectável).
Paralelamente à terapêutica, há outros cuidados a adoptar, nomeadamente manter as pernas elevadas. É que a gravidade contribui para diminuir o inchaço. Não basta, porém, apoiar as pernas num banco, é preciso que o tornozelo fique mais alto do que as ancas: uma forma de o conseguir é, por exemplo, deitar-se no sofá e apoiar as pernas no respectivo braço ou, na cama, colocar várias almofadas sob a extremidade inferior do colchão. Outros cuidados úteis passam pela limpeza diária da pele afectada e pela aplicação de um creme hidratante. Pachos frios e húmidos também proporcionam alívio.
A celulite de origem bacteriana é para levar a sério. É que a infecção pode espalhar-se rapidamente, sendo várias as complicações possíveis: se afectar a pele em redor dos olhos há o risco de chegar ao cérebro; se penetrar na corrente sanguínea pode infectar as válvulas cardíacas ou abrir caminho a uma septicemia (por libertação de toxinas no sangue).
São riscos que se podem prevenir, sobretudo quando se tem subjacente um factor de risco como a diabetes ou problemas circulatórios. Há que cuidar da pele, mantendo-a a salvo de lesões.
Hidratar, cortar cuidadosamente as unhas de mãos e pés, proteger as mãos (com luvas quando executar tarefas que possam agredi-las) e os pés (usando calçado confortável e adequado ao esforço a desenvolver), tratar atempada e correctamente as infecções cutâneas superficiais (como o pé-de-atleta).
Importante é também vigiar a pele e agir rapidamente se detectar alterações, por ligeiras que pareçam: uma mancha de pele que fique quente e vermelha ou que pareça estar a alargar deve suscitar uma consulta médica. É que a celulite trata-se e permite uma recuperação completa se diagnosticada a tempo. Já a outra celulite é mais persistente, teimando em manter-se apesar das várias ofensivas para devolver à pele a sua textura lisa...

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