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Saúde Semanal

Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença. E, como técnica auxiliar de saúde, aqui estou para ajudar.

Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença. E, como técnica auxiliar de saúde, aqui estou para ajudar.

Saúde Semanal

28
Abr09

Alvéolos invadidos

Flor

Quando bactérias, vírus ou outros agentes infecciosos conseguem chegar aos pulmões, instalam-se nos alvéolos e são responsáveis pela pneumonia. Uma doença que se trata, mas que pode ser grave, pelo que o melhor é prevenir. Vacinando. E não só.

 
Pneumonia
 
No início, confunde-se com uma constipação ou uma gripe. São os sintomas que permitem essa confusão: tosse, febre, arrepios. Além de que, com frequência, se segue a uma destas infecções virais típicas do Inverno.
Contudo, a pneumonia é mais grave, correspondendo a uma inflamação dos pulmões que, em organismos mais debilitados, pode ser fatal.
São, aliás, as pessoas mais frágeis que correm maior risco: as crianças, os idosos, os doentes com o sistema imunitário enfraquecido (com VHI/sida, submetidos a um transplante ou a tratamentos de quimioterapia, por exemplo) e os portadores de patologias como a insuficiência cardíaca e a doença pulmonar obstrutiva crónica, entre outras.
Os vírus constituem uma das causas mais comuns de pneumonia, mas há outras: bactérias, fungos, químicos. Cerca de metade das pneumonias são virais, o que explica a semelhança de sintomas com a constipação ou a gripe.
Tosse (seca), dor de cabeça, dores musculares, fadiga e febre são manifestações iniciais comuns, mas à medida que a infecção progride é provável que surja dificuldade respiratória e que haja produção de muco (transparente ou esbranquiçado).
Quanto à pneumonia bacteriana, pode acontecer isoladamente, em simultâneo com uma infecção viral ou na sequência de uma doença respiratória como a gripe.
Os sintomas declaram-se subitamente, incluindo tremores e arrepios, febre elevada, suores, dificuldade respiratória, dor no peito e tosse com muco espesso, entre o amarelo e o verde. São muitas as bactérias passíveis de causar pneumonia, entre elas se destacando o estreptococo e o pneumococo.
Também alguns tipos de fungos podem estar na origem da doença, embora mais raramente. Nas pessoas afectadas, os sintomas tanto podem passar quase despercebidos como persistir por meses.
Responsáveis por uma pneumonia muito específica são os micoplasmas, organismos minúsculos que desencadeiam sintomas muito semelhantes aos da pneumonia viral ou da bacteriana, mas atenuados.
É a chamada pneumonia atípica pois a pessoa pode não ficar suficientemente doente para procurar tratamento ou pode nem sequer se aperceber da doença.
Este é o tipo de pneumonia que se espalha facilmente entre crianças em idade escolar e jovens ou adultos quando em espaços sobrelotados.
Além das fontes de infecção, há outras formas de classificar a pneumonia, distinguindo-se entre a adquirida na comunidade e a hospitalar ou nosocomial.
Estar internado aumenta o risco de contrair a doença, sobretudo numa unidade de cuidados intensivos em que o doente esteja ligado a um ventilador (um aparelho que ajuda a respirar): é que o tubo por onde se respira pode albergar bactérias.
 
Filtros ineficazes
A pneumonia é uma inflamação dos pulmões, mais precisamente dos alvéolos pulmonares, os pequenos sacos de ar existentes nas extremidades dos brônquios. Em circunstâncias normais, os pulmões estão a salvo de infecções pois o organismo filtra o ar que respiramos.
É essa, por exemplo, a função dos cílios nasais, os pequenos pêlos existentes no interior das narinas e que travam a entrada de germes. É essa também a função da tosse, através da qual expelimos essas substâncias potencialmente agressivas, impedindo-as de chegarem aos pulmões.
Mas nem sempre estes filtros naturais são eficazes. Ou pela agressividade dos agentes infecciosos ou pelo enfraquecimento das defesas do organismo, a infecção pode acontecer. Vírus ou bactérias progridem até aos alvéolos, onde sofrem a acção dos glóbulos brancos (os leucócitos) que integram o sistema imunitário e, em consequência, atacam os invasores.
Mas a presença, em simultâneo, de todos estes elementos nos pequenos sacos de ar acaba por causar inflamação: enchem-se então de fluido, tornando a respiração difícil e desencadeando os demais sintomas da pneumonia.
Perante a suspeita de pneumonia – nomeadamente quando os sintomas de constipação ou gripe permanecem mais tempo do que é habitual ou se agravam – há que recorrer ao médico. É que a pneumonia trata-se, mas também pode complicar-se e ser até fatal.
Entre as complicações incluem-se a bactericemia – situação em que a infecção alastra para a corrente sanguínea, a partir daí podendo atingir rapidamente outros órgãos; os abcessos pulmonares – cavidade cheia de pus nos pulmões no local da pneumonia; derrame pleural – acumulação de líquido entre o revestimento dos pulmões (pleura) e a parede torácica.
Dado o risco, há sinais que não devem ser ignorados: é o caso da tosse persistente e com produção de muco, dor no peito (ao tossir e mesmo ao respirar), febre elevada e inexplicada, com tremores e arrepios, e falta de ar. Sobretudo nos grupos de risco: crianças (com dois anos ou menos), idosos, pessoas com o sistema imunitário deprimido ou com outras patologias respiratórias, cardíacas ou renais.
 
Se tem pneumonia...
Para uma recuperação mais fácil e rápida, deve:
·         Descansar bastante;
·         Aumentar a ingestão de líquidos;
·         Respeitar a prescrição médica e levar o tratamento até ao fim, sobretudo se envolver antibióticos: mesmo que se sinta melhor, não deixe de os tomar.
 
O risco da resistência aos antibióticos
Se o diagnóstico se confirmar, o tratamento depende da causa da pneumonia e da sua gravidade, sendo o objectivo geral curar a infecção e prevenir as complicações.
A maior parte das pessoas é tratada em casa, mas quando há severo compromisso da capacidade respiratória e risco de complicações pode ser necessário internamento para receber oxigénio ou antibióticos por via intravenosa (através de uma veia).
Os antibióticos são, aliás, um dos principais recursos terapêuticos, destinando-se à pneumonia causada por bactérias. Eficazes, resultam numa melhoria dos sintomas ao fim de poucos dias, o que pode iludir o doente e levá-lo a interromper o tratamento. Contudo, esta é uma tentação a evitar pois há a probabilidade de a infecção recuperar intensidade, o que implica recomeçar o tratamento.
Os antibióticos devem ser tomados até ao fim, de acordo com a prescrição médica.
Se assim não acontecer, há ainda o risco de as bactérias desenvolverem resistência ao medicamento: isto significa que, de certo modo, as bactérias se habituam aquele antibiótico, que deixa de ser eficaz para as eliminar, tornando necessária uma alternativa mais potente.
A resistência aos antibióticos é, aliás, um problema sério que se coloca à saúde pública e à investigação científica: por razões como o mau uso destes medicamentos há cada vez mais estirpes de bactérias resistentes. Usar antibióticos para tratar infecções virais é um erro comum, pois estes medicamentos não são eficazes no combate ao vírus.
Quando a pneumonia é de origem viral, o tratamento pode envolver fármacos específicos, mas na maioria das vezes envolve os mesmos cuidados que se adoptam numa constipação ou gripe – repouso e líquidos.
Já para a chamada pneumonia atípica – causada por micoplasmas – os antibióticos são uma opção, ainda que em muitos casos a recuperação não seja imediata e que sintomas como a fadiga possam manter-se depois de a infecção ter sido resolvida.
Quanto à pneumonia causada por fungos, trata-se com a ajuda de medicamentos anti-fúngicos.
 
Vacinar é prevenir
Uma vez que a pneumonia pode evoluir para um quadro clínico grave a melhor aposta é a prevenção. Que passa pela vacinação, nomeadamente contra a gripe: afinal, uma das complicações possíveis da gripe é a pneumonia...
Está igualmente disponível uma vacina contra o pneumococo, uma das bactérias causadoras da pneumonia.
A vacinação não oferece protecção total, não prevenindo todas as causas de infecção.
Contudo, numa pessoa vacinada, a pneumonia é mais ligeira, dura menos tempo e apresenta um menor risco de complicações.
Prevenir passa também por um gesto básico mas essencial: lavar as mãos. É que as mãos estão em contacto com os agentes infecciosos, nomeadamente os causadores da pneumonia: basta levá-las à boca ou tocar no interior do nariz para eles entrarem no organismo. Lavar as mãos, com sabonete e rigor, reduz a probabilidade de contágio.
As toalhitas desinfectantes também são úteis, sendo adequadas aos momentos em que não seja possível lavar as mãos: andar com uma é, aliás, aconselhável.
Entre os cuidados preventivos inclusive ainda não fumar: é que o fumo do tabaco, com todas as substâncias que contém, danifica as defesas naturais das vias respiratórias e dos pulmões, tornando-as mais vulneráveis a infecções.
Manter o sistema imunitário forte passa igualmente por uma alimentação equilibrada e pela prática de exercício físico.
A pneumonia não se manifesta sempre da mesma forma. Independentemente de possuir diferentes causas, pode declarar-se com mais ou menos gravidade, levando mais ou menos tempo a recuperar.
Mas, porque o risco de complicações existe, o melhor mesmo é prevenir: no Inverno aconselhe-se com um profissional de saúde, como o seu farmacêutico, e proteja-se!
 
Vacine-se na sua farmácia
A prevenção da pneumonia passa pela sua farmácia, através do recente serviço de vacinação.
Desde Outubro último que os farmacêuticos estão habilitados legalmente – e cientificamente – a ministrar vacinas não incluídas no Plano Nacional de Vacinação.
Entre elas conta-se a da gripe, que é habitualmente tomada no início do Outono, devendo ser renovada anualmente.
Como já estamos em Abril, informe-se junto do seu médico ou farmacêutico se ainda tem vantagem em ser vacinado. Na farmácia está ainda disponível a vacina pneumocócica, que oferece protecção contra um dos agentes causadores da pneumonia.
Oferece imunização contra vários tipos de pneumococos, podendo ser ministrada a partir dos dois anos de idade.
Quer esta, quer a vacina da gripe, requerem receita médica, mas agora podem ser administradas na farmácia, com a vantagem do aconselhamento farmacêutico de sempre.
27
Abr09

Não sofra em silêncio!

Flor

Este é um apelo que surge associado à dor: não há razão para sofrer em silêncio. A dor é causa de sofrimento físico e emocional, pelo que não deve ser ignorada nem negligenciada: é possível tratá-la e recuperar qualidade de vida.

 
 
 
“Eu é que sei o que me dói!”. Este é um desabafo que se ouve com frequência, muito revelador da subjectividade que gravita em torno da dor. É que não há duas dores iguais e a mesma lesão pode desencadear sensações de intensidade distinta em duas pessoas diferentes ou até na mesma pessoa em momentos diferentes. Além disso, até há dor sem lesão aparente, o que contribui ainda mais para o seu carácter subjectivo.
A verdade é que a dor é um fenómeno complexo, que envolve uma componente sensorial mas também uma componente emocional. É, naturalmente, uma experiência desagradável, mesmo para as pessoas mais resistentes.
Apesar disso, é com frequência subestimada, quer por doentes, quer por profissionais de saúde. Talvez pela sua própria subjectividade, tende a ser escondida, negada e até negligenciada. Com repercussões negativas na qualidade de vida: uma dor que é ignorada pode persistir, limitando a capacidade para as actividades do quotidiano.
Pela sua importância, os especialistas tendem a reconhecer a dor como o quinto sinal vital, juntando-a à frequência cardíaca, à frequência respiratória, à pressão arterial e à temperatura corporal como os parâmetros a medir no momento de avaliar o estado de saúde. Também por isso, existe um Plano Nacional de Luta Contra a Dor, no âmbito do qual foram criadas ou estão em constituição unidades de dor nos hospitais públicos do país.
 
De amiga a inimiga
A dor é, indiscutivelmente, uma experiência desagradável, fonte de sofrimento em maior ou menor grau. Mas, em certa medida, é também uma sensação benéfica para o organismo: assim acontece com a chamada dor aguda, que funciona como um sinal de alarme, avisando para uma alteração física resultante, por exemplo, de um traumatismo, de uma úlcera gástrica ou de uma queimadura.
É, aliás, a dor que justifica a maior parte da procura de cuidados de saúde por parte da população. Seja aguda, seja crónica. A dor aguda caracteriza-se pela duração limitada, sendo, quase sempre, possível definir o seu início e a causa. Constitui, por isso, um sintoma importante para o diagnóstico de várias patologias.
Quanto à dor crónica, é persistente e recorrente, mantendo-se mesmo depois de resolvido o problema que lhe deu origem ou existindo sem causa aparente. Esta é uma dor inimiga que não apresenta qualquer vantagem: antes pelo contrário, não só causa enorme sofrimento como tem impacto negativo na saúde física e mental. Fisiologicamente, a permanência da dor pode conduzir a alterações do sistema imunitário, diminuindo as defesas do organismo e, em consequência, tornando-o mais susceptível a infecções. Mental e emocionalmente, a dor crónica provoca frequentemente insónias, ansiedade, depressão.
Viver com a dor durante um longo período de tempo acaba por afectar a pessoa em toda a sua dimensão: limita a capacidade para trabalhar, para se divertir e até para cuidar de si mesma. E quando a dor e a incapacidade parecem desproporcionais face à lesão ou parecem não ter razão de ser é comum que o doente seja afectado nas suas relações familiares e sociais. É como se a dor não existisse a não ser para ele, gerando incompreensão por parte de terceiros e levando-o a fechar-se em si mesmo. Até os prestadores de cuidados de saúde podem desvalorizar as queixas do doente, contribuindo para um problema que já não é apenas do foro médico.
Este ciclo de sofrimento fez mesmo com que a dor crónica deixasse de ser encarada como um simples sintoma, passando a ser tratada como uma doença.
 
Medir e tratar a dor
A dor é, já aqui se disse, uma sensação subjectiva, o que dificulta a sua identificação e, consequentemente, o tratamento. Dificulta mas não impede, na medida em que existem meios complementares de diagnóstico que permitem detectar algumas causas de dor, nomeadamente lesões. Mas nem sempre existe lesão, o que não significa que a dor deva ser menosprezada.
Para a identificar contribuem as escalas de medição da intensidade da dor: são escalas aceites internacionalmente e com as quais os médicos trabalham, mas que carecem da colaboração do doente para serem úteis. A escala que for utilizada numa primeira medição deve manter-se, de modo a que seja possível comparar a evolução da dor num mesmo doente em momentos sucessivos. Desta forma contorna-se alguma da subjectividade que caracteriza a dor e permite-se um direccionamento mais rigoroso do tratamento.
Porque tratar a dor é imprescindível, dadas as suas repercussões físicas e psicológicas. Apesar de o tratamento da dor aguda e da dor crónica se distinguir, é possível definir duas linhas principais: a terapêutica farmacológica, com recurso a medicamentos, e a não farmacológica, que envolve técnicas como a fisioterapia e outras.
No que respeita aos fármacos, os dirigidos ao tratamento da dor designam-se genericamente como analgésicos, estando disponíveis várias classes, nomeadamente os não opióides (como os anti-inflamatórios não esteróides) e os opióides (como a codeína e a morfina). É em função do diagnóstico e, em particular da intensidade e do carácter crónico ou não da dor, que é feita a selecção dos medicamentos.
No caso da dor crónica podem ainda ser utilizados os chamados fármacos adjuvantes, que, não sendo verdadeiramente analgésicos, contribuem para o controlo da dor actuando sobre os factores que a podem potenciar ou agravar: incluem-se nesta categoria os antidepressivos, os ansiolíticos, os anticonvulsivantes, os corticoesteróides, os relaxantes musculares e os anti-histamínicos.
Em determinadas situações de dor pode ser necessário o recurso a métodos mais invasivos, que envolvem a injecção dos medicamentos próximo do local que provoca a dor ou ao longo do trajecto dos nervos que conduzem a sensação dolorosa.
Já o tratamento não farmacológico implica, como o nome indica, outras abordagens que não os medicamentos. A fisioterapia é uma delas, envolvendo o movimento controlado das partes do corpo mais afectadas pela dor, visando restaurar a funcionalidade de articulações e músculos. A estimulação eléctrica cutânea, o relaxamento, as estratégias de redução de stress são também alternativas.
E dadas as implicações da dor na vida dos doentes, o tratamento pode ser complementado com apoio psicológico. A psicoterapia pode revelar-se útil para lidar com o efeito negativo da dor na mobilidade, na comunicação e nos relacionamentos.
 
Três milhões
Cerca de três milhões são os portugueses que sofrem de dor crónica, correspondendo a 30 por cento da população, de acordo com o “Estudo da Prevalência da Dor Crónica na População Portuguesa”, elaborado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e coordenado pelo presidente da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED). Destes portugueses, cerca de 14 por cento que sofrem de dor moderada a grave.
As lombalgias constituem a principal causa de dor crónica, seguidas pelos problemas osteo-articulares, cefaleias, traumatismos e dor pós-cirúrgica.
O cancro corresponde a um por cento da dor crónica. Quanto ao tratamento, 35 por cento dos doentes com dor crónica avaliados considerou que a sua dor não está bem controlada, sendo que a maioria sustentou que os medicamentos não são eficazes ou que os médicos não conferem a devida atenção à dor.
 
Dor desvalorizada?
A dor das mulheres é desvalorizada face à dos homens, sendo considerada menos verdadeira e menos grave pelos profissionais de saúde, sobretudo quando estes são do sexo masculino.
Esta é a conclusão de um estudo do Centro de Investigação e Intervenção Social do ICSTE, realizado em 2007 e envolvendo205 estudantes de enfermagem. A investigação visou perceber quais os factores que influenciam a apreciação da dor dos doentes, nomeadamente a forma como a dor é apresentada e o género de quem a julga.
E concluiu que a dor no doente do sexo feminino é julgada como menos genuína e a sua situação clínica como menos grave e urgente do que a do homem, em contextos de dor aguda e de curta duração ou na ausência de manifestações explícitas de ansiedade. Isto porque se espera que as mulheres sejam mais expressivas, pelo que, quando agem de forma controlada sem recorrer muito aos profissionais de saúde, acabam por ver a sua dor subvalorizada.
As mulheres queixam-se mais de dor ao longo da vida, mas as suas dores são frequentemente desvalorizadas, subdiagnosticadas ou subtratadas.
 
Com a ajuda do doente
Tanto o diagnóstico como o tratamento da dor estão, em boa parte, nas mãos do próprio doente. Desde logo na avaliação da dor: a intervenção médica é muito facilitada se o doente souber localizar a dor, identificar as limitações que ela lhe causa (se afecta a mobilidade ou o sono, por exemplo), caracterizá-la quanto ao tipo e intensidade. A colaboração do doente é igualmente útil ao longo da terapêutica, nomeadamente no seu cumprimento e na avaliação do seu efeito no controlo da dor.
Mas há mais que o doente pode fazer para se ajudar a si próprio. Manter a actividade física e mental é essencial: fazer exercício de forma regular, mas sem exagerar, mantém o corpo em forma e torna-o mais resistente, enquanto ocupar o tempo com actividades que proporcionem prazer contribui para estimular a mente e distrai-la da dor e suas consequências. O mesmo benefício é obtido com o convívio social, sendo importante que o doente se mantenha em contacto com familiares e amigos, com eles desfrutando de bons momentos mas também partilhando os sentimentos negativos que possam surgir.

A dor é uma sensação desagradável, penosa. Qualquer dicionário assim a define, com estas ou outras palavras. Mais ainda se for ignorada e negligenciada. Não há que sentir vergonha de se queixar de dor: ela pode parecer insignificante para os outros, até para alguns profissionais de saúde, mas é tudo menos insignificante para quem dela sofre. Por isso, não sofra em silêncio!

26
Abr09

Músculos cansados

Flor

Cansados é como ficam os músculos de quem sofre de miastenia gravis, uma doença que afecta sobretudo as mulheres. Em Portugal, são 400 a 500 os doentes.

 
 
 
À letra, miastenia gravis significa “grave fraqueza muscular” e é isso mesmo que a caracteriza: os músculos voluntários – aqueles que controlamos – ficam facilmente cansados e muito fracos, não se contraindo quando devem e, portanto, dificultando ou inviabilizando os movimentos a eles associados.
Tudo se passa ao nível da comunicação entre os nervos e os músculos. Por razões ainda não claramente identificadas, há interferências nessa comunicação – as mensagens não passam dos nervos para os músculos, pelo que estes não obedecem aos estímulos enviados pelo cérebro.
A fraqueza muscular pode afectar qualquer um dos chamados músculos voluntários, mas é mais comum nalguns grupos. Os primeiros a denunciar a doença são os músculos dos olhos: é que são usados constantemente, daí que se cansem mais facilmente. Daqui resulta desdobramento das imagens (dupla visão) e o descair de uma ou de ambas as pálpebras. Pode acontecer que a doença fique confinada a estes músculos, caso em que se fala de miastenia ocular.
Mas, com frequência, há outros músculos envolvidos, nomeadamente os da cara e garganta. As consequências abrangem a deglutição – comer, beber ou tomar comprimidos são gestos dificultados pela facilidade com que a pessoa se engasga – e a mastigação – os músculos podem ficar cansados a meio da mastigação, sobretudo de alimentos que exigem mais esforço, como a carne.
Também a fala é afectada, com os sons a saírem nasalados. E as expressões faciais também se ressentem – o sorriso pode desaparecer devido à fraqueza dos músculos envolvidos nesse reflexo.
Cansados ficam igualmente os músculos dos membros superiores e inferiores – gestos como pentear-se, barbear-se ou escrever ficam comprometidos, o mesmo podendo acontecer com subir ou descer escadas. Por vezes, o pescoço também se ressente, pendendo para a frente.
A dificuldade de comunicação entre nervos e músculos pode estender-se ao peito, com impacto na capacidade respiratória – uma das consequências mais graves desta doença auto-imune.
 
A influência do timo
A miastenia gravis faz precisamente parte de um grupo de doenças infligidas pelo próprio organismo: é que o sistema imunitário, ao invés de defender o corpo dos agentes agressores, ataca-se a si mesmo. Não se sabe exactamente porquê, ainda que, em relação à miastenia, haja evidência do envolvimento do timo, uma glândula localizada atrás do esterno (o osso do peito) e que parece desencadear a produção dos anticorpos que impedem a contracção dos músculos. Em adultos saudáveis, o timo é pequeno, mas nestes doentes assume uma dimensão excessiva, desenvolvendo-se, por vezes, tumores não cancerígenos. O facto de a remoção desta glândula fazer desaparecer a doença nalgumas pessoas confirma a tese da sua responsabilidade na miastenia.
Os tumores no timo constituem, aliás, uma das complicações da doença, estando presentes em cerca de 15 por cento dos doentes. Mas há outras complicações possíveis e mais severas: é o caso da chamada crise miasténica, uma condição que pode colocar a vida em perigo e que ocorre quando os músculos que controlam a respiração ficam demasiado fracos para cumprir a sua função.
A capacidade respiratória fica comprometida, impondo a entrada no hospital, onde o doente é ventilado artificialmente por algum tempo, até que, por via da administração de medicamentos, os músculos recuperem a força suficiente para a respiração.
Os doentes miasténicos são mais susceptíveis a um conjunto de outras doenças auto-imunes como o lúpus e a artrite reumatóide. São igualmente vulneráveis a disfunções da tiróide, a glândula que regula o metabolismo (a velocidade a que o corpo utiliza a energia).
 
Mulheres “preferidas”
Apesar das complicações, a miastenia é uma doença controlável. O tratamento está disponível sob a forma de medicamentos, sendo os principais os anticolinesterásticos, que potenciam a comunicação neuromuscular. Não eliminam a deficiência que está na base da doença, mas permitem que a maioria dos doentes leve uma vida normalmente activa.
Para os doentes mais graves, pode ser necessário recorrer a tratamento com esteróides, medicamentos particularmente indicados quando são afectadas a deglutição e a respiração. Em complemento, podem ser administrados imunossupressores, que, como o nome indica, actuam sobre o sistema imunitário, interferindo na produção dos anticorpos que bloqueiam a comunicação.
A cirurgia é também uma opção para remoção do timo, a glândula envolvida na miastenia, nomeadamente quando já se desenvolveram tumores. Já nas situações de crise, é usada a plasmaférese, que consiste na substituição do plasma do doente, uma espécie de lavagem do sangue para remoção dos anticorpos nocivos.
O tratamento é, geralmente, eficaz, o que permite aos doentes uma vida razoavelmente activa. Em Portugal, são cerca de 400 a 500, surgindo por ano 30 a 40 novos casos de uma doença que é, maioritariamente, feminina: nas mulheres declara-se, quase sempre, antes dos 40, mas nos homens só depois dos 60. São particularidades de uma patologia que ainda tem muitos contornos desconhecidos.
 
Falhas na comunicação
O que está em causa na miastenia gravis é um corte na comunicação entre os nervos e os músculos, o que os impede de obedecerem às ordens emitidas pelo cérebro.
Compreender os músculos pode ajudar a compreender melhor este mecanismo. Assim, cada músculo é servido por um nervo que se ramifica em nervos mais pequenos que se espalham pelo interior fibroso. Entre cada uma das extremidades nervosas e a superfície muscular há um intervalo: é nele que se processa a comunicação.
Quando o cérebro envia mensagens ao músculo, para que ele se contraia, as extremidades nervosas libertam um químico – trata-se da acetilcolina, um neurotransmissor, que se agarra aos receptores existentes no músculo, fazendo-o contrair-se.
Ora, é este mecanismo que falha numa pessoa com miastenia gravis: a mensagem não passa dos nervos para o músculo porque o sistema imunitário produz anticorpos que bloqueiam ou destroem os receptores de acetilcolina. Como este neurotransmissor não chega ao músculo, este não se contrai ou contrai-se com uma força insuficiente para que o movimento desejado se concretize.
Os músculos mais usados são os mais afectados: daí que a doença comece por manifestar-se nos olhos – as pálpebras sobem a descem repetidamente, embora de uma forma quase automática que passa despercebida.
26
Abr09

Perigo à espreita

Flor

O perigo de uma intoxicação espreita sempre a produtos tóxicos deixados ao alcance das crianças – medicamentos, detergentes, pesticidas, cosméticos. A curiosidade infantil faz o resto.

 
 
 
Pelo menos 30 crianças intoxicam-se diariamente em Portugal. Muitas mais haverá, mas este é o número de casos médios registado, dia-a-dia, pelo Centro de Informação Anti-Venenos (CIAV). Outros não recorrem a este aconselhamento telefónico, com a situação a resolver-se no local do acidente ou num serviço de saúde.
As estatísticas dão conta de uma elevada prevalência de acidentes com tóxicos nos primeiros quatro anos de vida – 65 por cento dos casos registados pelo CIAV em 2007. Na maioria das vezes, ocorreram em casa e por via digestiva, com os medicamentos no topo dos produtos de risco.
Contudo, estes números poderiam baixar drasticamente com uma maior aposta na prevenção. Cuidados básicos a adoptar por todos, tanto mais que a casa – espaço de conforto por definição – parece ser o local mais perigoso para as crianças no que respeita aos tóxicos.
Assim acontece porque o risco não é devidamente medido. Mas existe sempre que se arrumam os detergentes em armários baixos, sem fechos à prova de criança; sempre que os perfumes e cosméticos são deixados na bancada da casa de banho; sempre que aqueles medicamentos que se tomam todos os dias são mantidos à mão na mesa-de-cabeceira.
O cenário multiplica-se provavelmente na maioria dos lares. Esquecendo que as crianças contornam facilmente a vigilância dos adultos e que, movidas pela curiosidade, num ápice abrem um armário ou uma gaveta, deitando mãos ao produto proibido: cheiram, tocam, provam. Tornando-se potenciais vítimas de intoxicação, com o perigo a ser proporcional ao grau de toxicidade do produto e ao grau de contacto havido.
É quase sempre por via digestiva que a intoxicação acontece: medicamentos, bebidas alcoólicas, produtos de limpeza, perfumes são as fontes mais comuns de danos para a boca, garganta e estômago, provocando, nomeadamente, diarreia e queimaduras.
Entre os detergentes, há uns mais perigosos do que outros: os destinados às máquinas de lavar roupa e louça são mais agressivos do que os para a lavagem manual. Mais perigosos ainda, mas com menos registos de intoxicações, são os desengordurantes e os desentupidores de canos, capazes de causar queimaduras muito graves.
Mais frequentes em regiões rurais do que urbanas, os pesticidas, sobretudo os raticidas, são também responsáveis por acidentes por via digestiva.
O mesmo acontece com perfumes e cosméticos, ainda que com consequências menos nefastas.
A lixívia é um dos produtos mais nocivos, podendo ocorrer intoxicações por via digestiva ou cutânea. Em ambas as situações, o resultado são queimaduras. Também as tintas são uma fonte de risco, sendo potencialmente tóxicas no contacto com a pele.
Duplo risco oferecem também algumas plantas, nomeadamente bagas e cogumelos, com a intoxicação a poder ocorrer por ingestão ou através do toque.
As vias respiratórias são igualmente vítimas dos produtos tóxicos, por aspiração de vapores ou gases – tintas, combustíveis e produtos de limpeza são, aqui, a origem mais frequente dos acidentes.
É ainda possível que a contaminação aconteça através dos olhos, por contacto directo com as substâncias tóxicas ou indirecto, através das mãos. Os sprays representam o maior risco.
 
O que fazer?
Uma intoxicação não passa despercebida, mas os sintomas dependem do produto, do seu grau de toxicidade, da quantidade envolvida e da via de penetração no organismo. Ainda assim costumam ficar vestígios do contacto com a substância perigosa. Modificações na coloração dos lábios, dor, sensação de queimadura (também na garganta e no estômago), lesões na pele, hálito com odor estranho são sinais que se observam de uma forma geral. A eles se juntam, por vezes, sonolência, torpor, confusão mental, dificuldade respiratória, delírios e alucinações.
A observação destes sintomas é fundamental para uma intervenção atempada, que passa pelo contacto com o Centro de Informação Anti-Venenos (808 250 143, acessível 24 horas por dia). Um contacto que deve ocorrer o mais cedo possível, de modo a obter instruções sobre como actuar: é que nem sempre é necessário recorrer a uma unidade de saúde, podendo as situações serem resolvidas no local do acidente desde que adoptando os cuidados adequados. E esses cuidados dependem da via de intoxicação. A maior parte dos acidentes envolve a ingestão, havendo necessidade de evitar a absorção do tóxico. Há que esvaziar o estômago, provocando o vómito. Porém, há situações em que este é um gesto interdito: quando o doente está inconsciente, sonolento ou não consegue engolir, quando ingeriu corrosivos (deve, em vez disso, dar água ou leite), produtos que provocam convulsões ou que fazem espuma. Na ingestão de petróleo e derivados também não se deve induzir o vómito.
Se o produto originar convulsões, importa prevenir o risco de asfixia: o doente deve ser colocado de lado, de modo a evitar a aspiração de vómito espontâneo, e deve abrir-se a boca para verificar se a língua não impede a respiração. Não se deve dar água.
Quando a intoxicação acontece por inalação do tóxico (com gás, por exemplo) há que levar o doente para fora do ambiente contaminado ou, na impossibilidade, arejar o mais possível o espaço. É importante vigiar a função respiratória e conservar o corpo aquecido.
Já a intoxicação por via cutânea implica medidas para evitar que o produto seja absorvido pela pele: há que remover a roupa do doente, colocando-o debaixo de água corrente e, no caso de pesticidas, lavando-o com sabão.
É também com água corrente que os olhos devem ser lavados: um fio de água, durante 15 a 20 minutos, mantendo as pálpebras separadas. Não se deve usar colírio.
Sem uma intervenção atempada, há intoxicações que deixam lesões para toda a vida. E, embora os casos fatais sejam cada vez mais raros, a verdade é que os produtos tóxicos podem matar. Na Europa, dois por cento das mortes até aos 14 anos devem-se a intoxicações.
 
Proteger as crianças
A maioria das intoxicações previne-se, sendo possível proteger as crianças adoptando um conjunto de cuidados básicos mas valiosos. Assim:
·         Guarde todos os produtos químicos (medicamentos, detergentes, cosméticos, bebidas alcoólicas...) fora do alcance das crianças.
·         Não utilize embalagens vazias para guardar outros produtos – pode haver confusão e ingestão acidental.
·         Feche as embalagens e guarde os produtos logo após o uso.
·         Não dê embalagens vazias para as crianças brincarem.
·         Não misture alimentos e bebidas com produtos de uso doméstico.
·         Não tenha plantas tóxicas em casa ou no jardim.
·         Não apanhe nem deixe as crianças apanharem cogumelos nem comerem bagas ou sementes de plantas.
·         Não aplique pesticidas na presença de crianças.
·         Feche as torneiras do gás após uso e mantenha as instalações em boas condições de segurança.
·         Não tome nem dê medicamentos às escuras; não ultrapasse as doses prescritas.
·         Leia as instruções de aplicação dos produtos e cumpra-as.
·         Conheça o significado dos símbolos existentes nos rótulos – distinguem produto explosivo, comburente, inflamável, tóxico, corrosivo, irritante.
 
A educação das crianças é fundamental como prevenção: há que explicar-lhes que os produtos domésticos não são para brincar e que pode ser perigoso mexer-lhes.
25
Abr09

Dificuldade em controlar

Flor

Crianças e adultos podem ter dificuldades em controlar a micção. As situações de enurese e de incontinência urinária não são exactamente iguais, mas ambas causam desconforto, embaraço e até sofrimento.



A vergonha está sempre presente, quer se fale de enurese, quer se fale de incontinência. É a vergonha de uma criança que, a meio da noite, anuncia aos pais que fez chichi na cama. Ou a vergonha de um adulto que sente libertarem-se pingos de urina fora de hora e de contexto. Em ambos os casos, a auto-estima está em risco, pelo que ambos devem merecer intervenção.

 

Enurese — noites molhadas

São fenómenos distintos, mas têm em comum a dificuldade em controlar o aparelho urinário. No que respeita às crianças, a enurese ocorre numa idade em que já deviam dominar o processo fisiológico que conduz à micção. Uma idade que pode oscilar, na medida em que cada criança se desenvolve a um ritmo muito próprio, ainda que existam etapas comuns, em que são de esperar determinados progressos.

As diferenças individuais reflectem-se também no controlo da urina. Há crianças que deixam de usar fraldas muito cedo, primeiro de dia, depois de noite, e outras que requerem mais algum tempo, urinando episodicamente nas cuecas ou na cama até, finalmente, se conseguirem controlar.

A maioria atinge esta fase por volta dos cinco anos, idade até à qual não se considera que a dificuldade em controlar a urina constitua um problema. A partir daí, se a criança continua a molhar a cama de noite, considera-se que sofra de enurese nocturna. Com frequência esta é uma situação associada a um evento perturbador, como o nascimento de um irmão, a entrada na escola ou o divórcio dos pais — diz-se, então, que a enurese é secundária e que pode ter também como causa as infecções urinárias, alterações neurológicas e malformações urinárias. Já quando a criança não consegue de todo controlar a micção durante o sono fala-se em enurese primária.

Estima-se que em Portugal haja cerca de 80 mil crianças a braços com este embaraço. Crianças dos cinco aos 14 anos, na sua maioria rapazes. Partilham um problema, mas as causas podem ser diversas, oscilando entre a hereditariedade e disfunções do foro fisiológico ou psicológico. Sabe-se que a herança genética tem influência, considerando-se existir uma probabilidade de 44% de a criança ser enurética se um dos pais o tiver sido, taxa que aumenta para 77% quando envolve ambos os progenitores.

O maior peso é, no entanto, fisiológico, na medida em que foi identificada nos enuréticos uma deficiência na produção nocturna da hormona vasopressina, com efeitos antidiuréticos. Esta hormona regula a produção de urina durante as 24 horas do dia, estando presente em maior quantidade durante a noite, de forma a reduzir o volume de urina. Não é isso que acontece, porém, no caso das crianças enuréticas.

Apesar de involuntária, a emissão de urina durante o sono causa muito sofrimento nestas crianças, com a ansiedade a prevalecer, num misto de sentimentos que abrangem a vergonha e a culpa. Elas não conseguem, de facto, controlar a urina. Sentem vergonha, sentem-se humilhadas e tentam esconder o problema. Daí que resistam a tudo o que implique passar uma noite fora de casa, o que claramente afecta a sua vida social.

Receiam — e é normal — que as outras crianças se apercebam, o que as tornaria alvo de risos e provocações. Receiam também os olhares e comentários dos adultos — e a verdade é que eles acontecem, ameaçando a estabilidade emocional destas crianças.

Este é, no entanto, um problema com solução: com a ajuda do médico de família ou do pediatra, importa identificar causas e tratá-las. Existem terapias e medicamentos eficazes no tratamento da enurese. Mas o caminho não passa apenas por aqui: implica atenuar o sofrimento e reforçar a auto-estima infantil.

 

Nem crime nem castigo

A criança não tem culpa por libertar urina durante o sono. Não o faz de propósito, nem por preguiça, pelo que não deve ser punida. Deve, sim, ser tranquilizada e ajudada pelos pais, os quais devem:

·         Explicar o que se passa

·         Manifestar compreensão

·         Enfatizar que ninguém tem culpa

·         Partilhar a sua experiência se sofreram de enurese quando eram crianças

·         Limpar a cama rapidamente e sem confusão, encorajando a criança a mudar de pijama e a ajudar a fazer a cama

·         Ensinar a ir à casa de banho antes de dormir

·         Estimular a cortar nas bebidas com cafeína e hidratos de carbono (como a cola) e nos chocolates

·         Reduzir a quantidade de líquidos ingeridos durante a noite — uma bebida ao jantar e mais nada depois

·         Procurar conselho médico.

 

Pingos que envergonham

Tal como a enurese, também a incontinência urinária envergonha. De tal forma que a maioria das pessoas a esconde, relutando em levá-la a uma consulta médica e, com isso, adiando um tratamento e prolongando o sofrimento.

Este é um problema muito vulgar, que se pode manifestar em qualquer momento da idade adulta, embora seja mais frequente entre os idosos. A continência urinária depende de uma integridade anatómica e fisiológica, assim como a existência de um estado mental normal, mobilidade, destreza e motivação. Por detrás, esconde-se uma multiplicidade de causas, em que pontuam as doenças urológicas, ginecológicas, neurológicas, psicológicas, hormonais, ambientais ou iatrogénicas, bem como alterações degenerativas associadas ao envelhecimento e deficiências congénitas. Comum é que resulte de lesão na região pélvica ou na espinha dorsal, podendo também ser consequência de uma cirurgia pélvica. Mais comum ainda é que ocorra em resultado de uma gravidez e parto, sobretudo se for por cesariana. Definida, de uma forma simples, como a dificuldade em controlar a urina, a incontinência é um problema do sistema urinário relacionado com a uretra, o canal por onde sai a urina e cuja actividade é controlada por um músculo, o esfíncter. No entanto, ao contrário do que se pensa, não é uma doença, mas sim um sintoma: a urina escapa-se porque existe uma patologia que interfere com a capacidade do esfíncter para controlar as expulsões urinárias.

E porque as causas são muitas também são diversos os tipos de incontinência. Um deles está associado ao stress: a bexiga descarrega durante a prática de exercício físico, em consequência de um acesso de tosse, de uma gargalhada ou de qualquer movimento corporal que exerça pressão sobre os músculos pélvicos. E as tão indesejadas gotas lá se escapam. Em momentos de convívio social este tipo de incontinência pode ser bastante incomodativo: é que basta uma gargalhada saída lá do fundo para desencadear o embaraço.

Um outro tipo é a chamada incontinência de transbordo ou de urgência (conhecida também por instabilidade vesical ou do músculo detrusor e por bexiga hiperactiva). Corresponde a uma necessidade urgente de ir à casa de banho e à incapacidade para lá se chegar a tempo. As causas não são claramente conhecidas, mas pode estar em causa uma situação em que as ligações nervosas entre a bexiga e o cérebro se encontram danificadas, provocando uma súbita contracção da bexiga que não pode ser evitada. E a urina sai prematuramente.

incontinência mista quando há associação entre os diferentes tipos de incontinência. Uma terceira forma é conhecida como incontinência reflexa. Neste caso, a perda de urina acontece sem que a pessoa tenha consciência da necessidade de urinar. É com frequência o resultado de uma abertura anormal da bexiga ou de “furos” fístulas — neste que é o nosso reservatório de urina ou na uretra.

Finalmente, considera-se a incontinência que decorre de uma intervenção cirúrgica, por exemplo de uma histerectomia ou de uma cesariana.

É, naturalmente, em função da causa que se define o tratamento, de um leque de opções que envolve técnicas cirúrgicas e não cirúrgicas.

Por vezes, uma simples mudança dos hábitos alimentares é suficiente, de modo a cortar nos produtos com efeito diuréticos (os que estimulam a produção de urina). Pode também ser necessário prescrever medicamentos próprios ou retirar alguns. E em último caso pode recorrer-se à cirurgia, nomeadamente para implantar um aparelho que ajudará a controlar os músculos pélvicos. O que é certo é que o tratamento é eficaz na grande maioria dos casos: 80 em cada 100 doentes deixam de ter razões para sentir vergonha.

 

Sinais de alarme

A perda de urina é sempre precedida de alguns sinais de alarme, que devem ser tidos em conta e que importa conhecer:

·         Urinar mais frequentemente do que o habitual, sem que exista uma infecção na bexiga.

·         Necessidade de correr para a casa de banho, perdendo urina quando não se chega a tempo.

·         Dores relacionadas com o acto de urinar.

·         Infecções frequentes da bexiga.

·         Enfraquecimento progressivo do jacto urinário, com ou sem a sensação de esvaziamento total da bexiga.

·         Urina em quantidade anormal ou alterações relacionadas com o sistema nervoso.

 

25
Abr09

Cores baralhadas

Flor

São assim as cores aos olhos de um daltónico: baralhadas. É quase sempre entre o verde e o vermelho que se dá a confusão, dificultando tarefas básicas do dia-a-dia: combinar peças de vestuário pode não ser fácil, mas pior é atravessar uma passadeira ou conduzir...

 
 
 
Um olho saudável é capaz de distinguir 15 mil tonalidades, com a visão colorida a assentar na percepção de três cores fundamentais — o azul, o verde e o vermelho. Mas há pessoas cuja visão colorida sofreu uma modificação, pelo que apenas distinguem duas dessas cores. São pessoas daltónicas. O mais frequente é que não diferenciem o verde do vermelho, reconhecendo somente o amarelo e o azul-violeta. Mas também acontece que confundam o azul e o amarelo, embora esta forma de daltonismo seja mais invulgar. Mais rara ainda é a incapacidade de distinguir qualquer das cores — a pessoa vive num mundo a preto e branco, pontuado por graduações de cinzento. É ao nível da retina que radica a explicação para esta perturbação da visão. Nesta membrana que cobre a face interna do olho localizam-se as células fotoreceptoras, os chamados cones, que nos permitem perceber as cores. São três os tipos de cones, tantos quanto as cores fundamentais: os vermelhos, os verdes e os azuis, cada um deles sensível a um pigmento específico. O que acontece é que, numa pessoa daltónica, há cones que funcionam mal ou simplesmente não existem, pelo que o cérebro não recebe a informação que lhes permite descodificar a respectiva cor. Normalmente, apenas um tipo deles está ausente — quase sempre o vermelho, mais raramente o azul ou o verde. Excepcionalmente, podem faltar dois tipos, falando-se então em monocromatismo. Mais raramente ainda, acontece faltarem os três tipos — estamos perante um quadro de acromatismo, em que a pessoa está privada de cor.
As “culpas” por esta anomalia devem ser apontadas à hereditariedade. E ao cromossoma sexual X. Nas mulheres, que possuem dois destes cromossomas, a presença de um gene anormal é, quase sempre, compensada por um gene normal existente no segundo cromossoma. O que significa que a mulher pode ser portadora do gene do daltonismo e passá-lo aos seus filhos, sem, contudo, ser afectada. Para ela própria ser daltónica era preciso ter recebido dois cromossomas alterados, um da mãe e outro do pai, o que é raro.
nos homens, que possuem um cromossoma X e outro Y, não é possível compensar o gene anormal transmitido hereditariamente. Daí que o daltonismo predomine no sexo masculino (calcula-se que afecte 8% dos homens, contra 0,45% das mulheres). Porém, não passam o gene para os filhos, apenas para as filhas, precisamente através do cromossoma X.
 
Viver o daltonismo
Se pelo menos uma das cores principais lhes está vedada, ou se a apercebem com grande dificuldade, como vêem os daltónicos? Desenvolvem o seu próprio sistema de referência, substituindo as tonalidades ausentes por diferentes tons de cinzento. E aprendem a conviver com esta diferença cromática, que não lhes afecta a saúde mas condiciona o dia-a-dia. Conduzir, por exemplo, não será tarefa fácil. Pelo menos à primeira vista: se uma pessoa não distingue o vermelho, ou se não distingue o verde, como saberá se deve parar ou avançar num semáforo? Na verdade, pode recorrer ao seu próprio esquema cromático, em que a cor em falta se apresenta disfarçada de cinzento. Porém, para desenvolver uma actividade profissional relacionada com os meios de transporte, ou com as forças de segurança, este recurso pode ser insuficiente — ser piloto de avião, maquinista de comboio ou agente da polícia e não conseguir distinguir claramente todas as cores é uma combinação inviável.
Aliás, aqui radica uma das razões para se fazer o despiste precoce do daltonismo: acontece que, ignorando ser portadores desta anomalia da visão, os jovens percorrem um determinado caminho escolar, com destino a uma profissão que correm o risco de não exercer. Mas o daltonismo pode ser despistado na idade escolar, aquando da primeira visita ao oftalmologista, normalmente por volta dos seis anos, embora se possa efectuar um despiste rudimentar com testes de cores, como nas duas figuras presentes. Mas só pelos dez anos é possível realizar testes que permitem detectar com acuidade o défice cromático da criança. E, uma vez identificada a anomalia, não há necessidade de qualquer vigilância particular, até porque não interfere nas outras funções da visão. E porque, por enquanto, não existe qualquer tratamento que permita restabelecer a percepção normal das cores.
 
Sinais precoces
alguns sinais que denunciam o daltonismo numa criança. Cabe aos pais estarem atentos: porque o mais provável é o filho errar na atribuição das cores, nomeadamente quando desenha ou quando se veste. Normalmente, o verde torna-se cinzento e o vermelho mascara-se de verde.
Na escola nem sempre é fácil a vida de um pequeno daltónico. Quando a actividade que lhe é proposta implica escolher cores, ele sente certamente dificuldade e baralha-se. Nos cadernos e lápis é sempre possível colar etiquetas, para que ele não se engane. Mas nas aulas de geografia, de química ou de expressão artística poderá ser mais difícil, pelo que os professores devem ser alertados.

Também na rua, a confusão entre cores pode dar origem a incidentes, nomeadamente a atravessar uma passadeira: como uma criança daltónica não distingue o vermelho do verde, convém fazê-la memorizar a posição das cores no semáforo ou identificar a figura luminosa e guiar-se pelos respectivos movimentos.

19
Abr09

Um peso sobre os ombros

Flor

Chama-se dermatite seborreica, mas é conhecida como caspa. Atinge mais os homens que as mulheres e, no mínimo, é inestética. Controlar o stress e a alimentação ajuda a diminuir a queda de flocos brancos sobre os ombros.

 

 

Quase todos nós, pelo menos uma vez na vida, já fomos desagradavelmente surpreendidos por pequenos pontos brancos manchando os nossos ombros impecáveis.

E quase todos nós também já olhámos de lado para ombros alheios pontuados do mesmo branco, torcendo o nariz ao que associamos, com frequência mas nem sempre com razão, a falta de higiene do couro cabeludo.

Mas, a verdade é que nem sempre a caspa corresponde a cabelos pouco limpos. Aliás, certos hábitos de higiene, como lavar os cabelos com água demasiado quente, são propiciadores da descamação do couro cabeludo, na medida em que assim a temperatura estimula a produção das glândulas sebáceas. E a oleosidade está estreitamente ligada à caspa, como o próprio nome indica — dermatite seborreica. As erupções cutâneas que lhe são características aparecem nas áreas do corpo com maior produção de oleosidade, o que, associado a um fungo (pityrosporum ovale), desencadeia a inflamação, a vermelhidão e a descamação que todos conhecemos, agravadas ainda por uma comichão assinalável.

Acomete principalmente o couro cabeludo, daí a dermatite seborreica ser sobretudo identificada como caspa. Mas pode manifestar-se igualmente no centro da face e nos sulcos próximos das asas do nariz, ou esconder-se atrás das orelhas, nas sobrancelhas, nos cílios e na barba. Pode ainda incomodar na região central das costas, entre os seios e junto à púbis.

Doença inflamatória, possui carácter crónico e recorrente, o que significa que se declara em surtos ao longo da vida de uma mesma pessoa. Não tem propriamente uma cura, mas há alguns tratamentos que permitem atenuá-la.

É inflamatória mas não contagiosa. Este é um mito gerado em torno da caspa, que importa desfazer: é comum ver alguém evitar partilhar um pente ou uma escova por receio de ficar também com caspa, mas ela não se pega, ainda que a partilha de objectos relacionados com a higiene individual seja de evitar.

 

Entre as hormonas e os genes

São ainda pouco conhecidos os factores que desencadeiam a dermatite seborreica, apesar de ter sido descrita pela primeira vez em 1887. Toavia, há índicios de que a hereditariedade pode ter uma palavra a dizer, devido à identificação de vários indivíduos de uma mesma família acometidos pela doença.

Isentas de "responsabilidade" parecem não estar igualmente as hormonas. Falamos das masculinas, já que os homens parecem mais propensos. A observação casuística permite chegar a esta mesma conclusão, na medida em que se vêem sobretudo ombros masculinos manchados dos inestéticos pontos brancos.

Em causa estão as mesmas hormonas masculinas responsáveis pelo crescimento dos pêlos e do cabelo, assim se explicando nomeadamente que a escamação atinja também o tórax dos homens, zona onde costumam apresentar pêlos. Assim se explica também que os homens sejam os principais afectados pela queda de cabelos, uma das consequências a prazo da dermatite seborreica.

Além destes, outros factores há que contribuem para a evolução da doença, determinando a sua melhoria ou o seu agravamento.

O stress é o primeiro deles: perturba as hormonas do organismo, estimulando a produção das glândulas sebáceas. O consumo de alimentos gordurosos e de bebidas alcoólicas também ajuda a piorar a doença, pelo que deve ser evitado ou, pelo menos, moderado.

Tem-se igualmente verificado que há alguns medicamentos, como os neurolépticos (utilizados no tratamento de perturbações mentais e comportamentais), associados a uma maior prevalência da dermatite seborreica e que há patologias, como a de Parkinson ou a sida, cujos doentes apresentam uma maior probabilidade de uma secreção sebácea elevada.

 

Tratar com persistência

Ainda que se desconheça o mecanismo que gera este distúrbio, e ainda que a dermatite seborreica seja crónica, não há razões para desesperar: há tratamento disponível e o que é preciso é ser persistente.

O primeiro ataque à caspa recorre aos champôs como arma diária, champôs suaves contendo selénio, zinco, ácido salicílico ou alcatrão. No mínimo são precisos dez dias para se vislumbrarem efeitos, mas importa não desistir a meio.

É verdade que, destinados a actuar sobre o excesso de oleosidade do couro cabeludo, estes produtos podem secar demasiado as pontas do cabelo, mas a solução não é abandonar o tratamento, mas sim usar um creme adequado, que as amacie.

A persistência é a palavra-chave, pois, tratando-se de uma doença crónica e recorrente como já disse, o que há a fazer apenas é controlar os sintomas.

Findo o tratamento há que fazer alguns exercícios de manutenção, isto é, continuar a controlar o grau de oleosidade dos cabelos, alternando os champôs anti-caspa ou neutro com um próprio para cabelos oleosos. já não diariamente, mas pelo menos duas vezes por semana.

Mas, por vezes, champô só não basta.

O couro cabeludo permanece irritado, vermelho, a descamação é abundante e amarelada — aí impõe-se o conselho de um dermatologista, sabendo-se que a dermatite seborreica é muito mais do que uma mera questão estética.

Quando a dermatite já está instalada, a única alternativa é tratar. Mas prevenir é sempre mais eficaz. Antes de mais, convém identificar o seu tipo de cabelo: se tiver tendência para a oleosidade, convém utilizar produtos adequados que ajudam a controlar a produção excessiva de gordura.

Em matéria de prevenção, a alimentação também tem influência: o principal cuidado implica reduzir a ingestão de gorduras — é saudável e ajuda a travar os excessos de oleosidade no cabelo.

Mais difícil é controlar o stress, mas o cabelo sai a ganhar com um estilo de vida mais relaxado.

 

 

Caspa dos bebés

Olhar para a cabeça de um recém-nascido corresponde, muitas vezes, a descobri-la revestida por uma espécie de capa, esbranquiçada ou amarelada, ou então pontuada por películas muito semelhantes à caspa. É a chamada crosta láctea, a forma infantil de dermatite seborreica.

Muito comum nos primeiros meses de vida, deve a sua origem à presença de hormonas maternas no sistema circulatório do bebé. Durante a gravidez, há uma maior secreção de hormonas, que passam da mãe para o feto através da placenta. Em contacto com a pele do bebé, estimulam as glândulas sebáceas, fazendo com que libertem quantidades elevadas de uma subtsância oleosa que interfere no processo natural de renovação celular. Em consequência, as células mortas, que deviam ser eliminadas, ficam presas ao couro cabeludo, formando a crosta láctea. Nos casos mais ligeiros, na cabeça do bebé permanecem apenas algumas escamas esbranquiçadas, mas há casos em que se forma uma camada espessa.

Não há, no entanto, motivos para preocupações, na medida em que esta é uma situação temporária e quase sempre inofensiva. Quase sempre, os cuidados caseiros são suficientes para fazer desaparecer a crosta. Assim, há que lavar a cabeça do bebé com frequência, com ajuda de produtos neutros. Sobre as zonas mais afectadas, deve passar-se um algodão embebido em óleo de amêndoas doces, após o que se passa um pente ou uma escova de pontas redondas que ajudará a remover as escamas que entretanto se soltaram.

Por vezes, a crosta láctea também atinge as sobrancelhas, as asas do nariz ou a região atrás das orelhas, devendo ser aplicados os mesmos cuidados.

A pouco e pouco, as glândulas sebáceas do bebé adquirem um ritmo normal, estabilizando a produção de gordura. Juntamente com os cuidados de higiene, o resultado é que as películas vão caindo e o couro cabeludo retoma a sua suavidade.

 

18
Abr09

O que são probióticos?

Flor

São bactérias vivas que existem no intestino do ser humano e que, quando administradas em quantidades adequadas, conferem benefício à saúde do bebé.



 

- O intestino normal contém vários tipos de bactérias que são fundamentais para o seu funcionamento regular.

- O equilíbrio entre as bactérias mais agressivas e as que têm efeito regulador e benéfico, é a chave para um intestino saudável e para o bem-estar.

 

Quais os mais frequentes?

Entre os Probióticos mais frequentes na flora intestinal do bebé destacam-se os LACTOBACILUS e as BIFIDOBACTERIAS.

 

Para que servem?

Têm um papel particularmente importante nas crianças e nas grávidas, porque:

- Melhoram a função intestinal, combatendo a diarreia e a obstipação (prisão de ventre);

- Previnem o aparecimento de cólicas e flatulência no bebé;

- Favorecem a função imunitária e o aproveitamento das vitaminas;

- Previnem o aparecimento de doenças alérgicas e as diarreias associadas aos antibióticos.

 

Bacilac infantis

O probiótico especialmente adaptado aos bebés e às crianças.

- Restaura a flora intestinal

- Elimina as cólicas abdominais

- Normaliza os movimentos intestinais

- Aumenta a imunidade

18
Abr09

Animais de companhia

Flor

Cães e gatos são muito mais do que animais de companhia. Para muitas pessoas são como membros da família com quatro patas. Por isso, há que cuidar deles e zelar pela sua saúde: conhecendo bem os sinais de doença.



 

Conheça os seus animais

Cães e gatos são diferentes no modo como se relacionam com as pessoas: uns mais sociáveis, outros mais independentes, mas ambos com capacidade para se integrarem numa família. É um processo de aprendizagem, ao longo do qual é fundamental que os donos conheçam os hábitos e comportamentos do animal.

É preciso estar atento a qualquer alteração, pois as doenças que afectam os cães e gatos reflectem-se na sua maneira de estar, nos hábitos alimentares, na disposição... Um primeiro passo é saber os valores fisiológicos habituais.

 

VALORES NORMAIS

CÃO

Temperatura (rectal) — 38,4º - 39,4º C

Frequência respiratória (min) — 18-34

Pulsação cardíaca (min) — 70-120

Gestação (dias) — 58 a 72

 

GATO

Temperatura (rectal) — 38,1º - 39,1º C

Frequência respiratória (min) — 16-40

Pulsação cardíaca (min) — 120-140

Gestação (dias) — 58 a 65

 

Doenças há muitas

São várias as doenças que afectam os animais de companhia. As causadas por:

- parasitas externos, como pulgas e carraças

- parasitas internos, como lombrigas e as ténias

- infecções por outros agentes, internas e externas.

Uma alimentação incorrecta também afecta a saúde dos animais.

 

Sinais de doença importantes:

- Perda de peso acompanhada de febre, apatia, vómitos, diarreia, coxear, alteração do apetite e dos hábitos de bebida;

- Aumento de peso associado a apatia, aumento da sede, apetite reduzido, pêlo baço, perda de pêlo, arrepios ou tremuras e vómitos.

 

Sinais a vigiar e registar

A observação do animal é essencial para perceber se algo está mal com ele. Se detectar qualquer alteração, registe-a: será uma informação valiosa para transmitir ao veterinário.

1. Comportamento — esteja atento a alterações nos movimentos, nas actividades, nos sons, na forma como o animal interage com pessoas e com outros animais

2. Peso, frequência cardíaca e respiratória — verifique alterações de acordo com os valores normais

3. Hábitos alimentares e de higiene — vigie o que o animal come e bebe, a frequência e o aspecto das fezes

4. Cor das gengivas — indica a quantidade de oxigénio no sangue (a cor rosa é o padrão)

5. Pele na parte de trás do pescoço — belisque-a: pouca elasticidade é sinal de desidratação

6. Pele e pêlo — peladas, feridas, alterações no brilho e na textura são sinais de doença

7. Orelhas, olhos, nariz e boca — são terreno propício a infecções

8. Órgãos genitais e tecido mamário

9. Membros — incluindo patas e unhas

05
Abr09

Fitoterapia: 12 meses 12 plantas

Flor

Todos os dias são bons dias para desfrutar do melhor da Natureza.

Se pretende beneficiar das virtudes das plantas, siga alguns dos meus conselhos e opte pela fitoterapia ao longo do ano.

A minha sugestão é que em cada mês do ano conheça uma planta e faça um bom uso das suas propriedades.

No final verá que só tem a ganhar mais saúde e mais bem-estar.

 

Janeiro

Fora com as toxinas. Depure o organismo com a alcachofra + carvão vegetal

Depois dos excessos do Natal, eis que chega a hora de fazer uma cura depurativa.

É imprescindível, antes de iniciarqualquer dieta para perda de peso, depurar o organismo e eliminar detritos e toxinas acumulados.

A ALCACHOFRA, pelas suas virtudes depurativas e digestivas, é conhecida como a planta ideal para ajudar a expulsar o que esta a mais e assim preparar o corpo para uma verdadeira dieta de emagrecimento. O CARVÃO VEGETAL, por outro lado, ajuda a eliminar o excesso de gases, fruto das fermentações intestinais.

 

Alcachofra no branco

Alcachofra

 

Fevereiro

A tensão está ao rubro? Abrande o ritmo com oliveira + alho

A dieta mediterrânea é fundamental saúde do coração. Dois alimentos chave desta dieta são o alho e o azeite.

O ALHO, conhecido desde a antiguidade pelas suas propriedades medicinais, é um grande aliado da saúde cardiovascular. A sua actividade hipolipemiante ajuda a prevenir a arteriosclerose e os acidentes cardiovasculares. Estas propriedades aliadas à OLIVEIRA, uma das plantas mas características da nossa geografia com acção hipotensora, antiarrítmica e espasmolítica, vão ajudá-lo a manter a sua tensão dentro de valores saudáveis e equilibrados.

 

Oliveira

 

Março

Nesta Primavera durma descansado com Passiflora

São cada vez mais frequentes os problemas de sono. Ao impedirem-nos de ter um somo tranquilo, acabam por causar estragos no nosso dia-a-dia, diminuindo a qualidade de vida.

Existe uma grande variedade de plantas medicinais que nos podem ajudar a ter um sono mais tranquilo e reparador. Uma destas plantas é a PASSIFLORA.

A sua acção de efeito prolongado, não só impede que despertemos de madrugada como nos ajuda a enfrentar o dia com menos ansiedade.

 

Passiflora

 

Abril

Problemas no feminino? Conheça o óleo de onagra + isoflavonas de soja

Alguns dos transtornos associados `menopausa tornam-se mais incomodativos com a chegada do calor. Os afrontamentos ficam mais intensos e o desconforto é maior. As ISOFLAVONAS DE SOJA são uma óptima ajuda. Estas substâncias, designadas por fitoestrogénios, vão repor alguma actividade estrogénica aliviando o desconforto associado à sua falta.

Além da menopausa, outro dos problemas frequentes na mulher é o síndrome pré-menstrual (SPM). O ÓLEO DE ONAGRA, tomado na segundo metade do ciclo menstrual, vai ajudar a aliviar a tensão mamária, irritabilidade, inchaço abdominal, etc.

 

Onagra

 

Maio

Quando o calor aperta, ponha as pernas a circular com videira

O calor não é o melhor aliado das suas pernas. Agrava inúmeros problemas circulatórios provocando cansaço, inchaço e dor. Estes são sinais e sintomas de uma má circulação.

Para fazer frente a estes problemas use VIDEIRA. Esta planta tem a capacidade de melhorar a circulação do sangue nas pernas, aliviando sensações de mau estar e prevenindo o seu agravamento. Um verdadeiro efeito tonificante!

 

Videira

 

Junho

O último empurrão antes das férias com guaraná

Sem dúvida que antes da chegada das férias, as baterias começam a dar sinal de falta de energia. O GUARANÁ, uma planta utilizada há muitos anos pelos índios Guarani do Uruguai e Paraguai pelas suas propriedades estimulantes, vai ajudar a aguentar o ritmo das férias. A sua riqueza em cafeína, atribui-lhe propriedades estimulantes únicas capazes de ajudar contra a fadiga física e intelectual. Além disso, constitui também uma óptima arma para ajudar a perder aqueles quilinhos que há tanto a preocupavam.

 

Guaraná

 

Julho

Adore o sol com cenoura

Se vai a banhos, o ideal é ter a sua pele protegida. Faça-o com CENOURA. esta planta ajuda a que o seu bronzeado seja ainda mais intenso e que a sua pele esteja de facto protegida.

Com elevado poder antioxidante, o betacaroteno existente na CENOURA promove a intensificação do bronze e permite lutar contra os efeitos nefastas dos Raios UV (ultravioleta) que danificam e envelhecem a pele.

 

Cenouras

 

Agosto

Acabe com os ardores urinários com uva ursina

Durante a época balnear é frequente aparecerem as infecções urinárias ou cistites. Os fatos de banho molhados, a desidratação e o calor são factores desencadeantes deste tipo de problemas.

Evite recorrer aos antibióticos. Estes medicamentos não são inocentes e devem ser reservados apenas para os casos mais graves, ou seja, quando existe febre.

Use antes a fitoterapia e tome UVA URSINA. Esta planta, possui uma forte acção anti-séptica e anti-inflamatória. Deste modo combate as bactérias nefastas e põe um fim a este problema tão incomodativo.

 

Uva ursina

 

Setembro

De volta à rotina em plena forma com ginseng

Depois do merecido descanso das férias, está na hora de voltar ao trabalho. Não desanime!

Para fazer frente a mais uma jornada, procure um aliado: o GINSENG. Esta planta, uma das mais utilizadas desde a antiguidade pelas suas propriedades tónicas e energéticas, tem a capacidade de aumentar a sua resistência ao cansaço e proporcionar-lhe a vitalidade que necessita para enfrentar o seu dia-a-dia.

 

Ginseng

 

Outubro

Uma cura antioxidante com chá verde

A acção nefasta dos radicais livres é um dos pontos-chave do envelhecimento precoce. Por esta razão, é cada vez mais importante consumir produtos ricos em antioxidantes.

O CHÁ VERDE é uma das fontes naturais mais ricas em antioxidantes. Os polifenóis, presentes nesta planta, são responsáveis pela captação dos radicais livres. Graças às suas propriedades diuréticas e termogénicas, o CHÁ VERDE é também utilizado com êxito nas dietas para perda de peso.

 

Chá verde

 

Novembro

Com a chegada do frio, prepare as suas defesas com equinácea

Sem dúvida que um dos maiores problemas do Inverno são as gripes e as constipações.

Por isso, é muito importante prevenir os problemas respiratórios de toda a família. Faça-o de uma forma natural com EQUINÁCEA.

Esta planta tem a capacidade de aumentar as defesas do organismo, um ponto-chave para a prevenção e tratamento da gripe, garganta irritada e outros processos infecciosos do aparelho respiratório.

Tome EQUINÁCEA durante 2 semanas e fique protegido no Inverno.

 

Equinácea

 

Dezembro

Um ás na manga contra gripe e constipações

Durante os processos gripais é desaconselhado a toma de antibióticos uma vez que estes não têm qualquer acção sobre os vírus que a causam, sendo que por vezes acabam por diminuir ainda mais as nossas defesas naturais.

Por isto, a possibilidade de prevenir e tratar os sintomas gripais com plantas, é de facto a opção certa a tomar.

Se à interessante actividade que exerce a EQUINÁCEA, adicionamos o PRÓPOLIS, que protege e ajuda o organismo a lutar contra as infecções, o resultado é uma verdadeira bomba contra vírus e bactérias.

 

Própolis

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