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Saúde Semanal

Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença. E, como técnica auxiliar de saúde, aqui estou para ajudar.

Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença. E, como técnica auxiliar de saúde, aqui estou para ajudar.

Saúde Semanal

30
Mar09

As suas gengivas respiram saúde?

Flor

Os problemas das gengivas

A gengiva é um dos tecidos de suporte dos dentes juntamente com o ligamento periodontal, o osso alveolar e o cemento. Ao conjunto chama-se periodonto.

Gengivite

Inflamação das gengivas caracterizada por inchaço, vermelhidão, mau hálito ou por vezes sangramento.

 

[gengivite.jpg]

 

Periodontite

Periodontite (vulgarmente conhecida por piorreia): inflamação mais profunda que atinge a estrutura de suporte podendo resultar na perda de dentes. A placa bacteriana, pus e tártaro acumulam-se entre o dente e a parte interior da gengiva, o que dá início ao processo de destruição da estrutura de suporte do dente. Dá-se assim, a retracção gengival e o consequente risco de perda do dente.

 

[periodontite.jpg]

 

Tártaro

Se a placa bacteriana não for removida regular e eficazmente, poderá endurecer e formar o tártaro. Uma vez formado, o tártaro só poderá ser removido pelo dentista.

 

[tartaro.jpg]

 

Cárie dentária

As bactérias presentes na placa bacteriana produzem ácidos, a partir da nossa alimentação, que podem atacar o esmalte dos dentes. Apesar de o esmalte ser a substância mais dura do nosso organismo, ele é dissolvido por esses ácidos. As lesões provocadas (cáries), se não forem tratadas, vão aumentando de tamanho, podendo levar à perda do dente.

 

[carie+dentaria.png]

 

Mau hálito

Apesar de poder apresentar outras causas, o mau hálito é frequentemente provocado pela acumulação de placa bacteriana e/ou presença de doenças na boca.
A remoção da placa bacteriana é fundamental para ter um hálito fresco, assim como para a manutenção de uma boa saúde na boca.

 

[mau_halito.jpg]

 

 

 

A principal causa é a placa bacteriana. A placa bacteriana é uma fina película incolor constituída por bactérias, saliva e restos de alimentos que aderem à superfície dos dentes, que se não eliminada mineraliza-se e forma o tártaro. A placa bacteriana liberta substâncias nocivas que irão agredir tanto o esmalte dos dentes, provocando as cáries, como as estruturas de suporte, provocando as gengivites. Um gengivite não tratada pode originar uma periodontite (piorreia) e consequentemente risco de perda de dentes.

 

 

Como prevenir estes problemas?

A prevenção pode-se fazer através do controlo eficiente da formação da placa bacteriana. A escovagem diária, associada ao uso do fio dentário e elixir são as medidas fundamentais para a prevenção da placa bacteriana.

 

 

 

Faça o seu diagnóstico

 

Sente dor nas gengivas?

Sangra frequentemente durante as escovagens?

Nota as gengivas inchadas ou com alteração na coloração?

Sente incómodo quando em contacto com calor, frio ou alimentos/bebidas ácidos?

Suspeita que possa ter mau hálito?

 

 

Se a resposta a alguma destas perguntas for afirmativa, pode ter um problema gengival.

Qual é a principal causa dos problemas gengivais?

29
Mar09

Dores de garganta?

Flor

As dores de garganta comuns são frequentemente provocadas por uma inflamação das amígdalas, da faringe ou da laringe, cuja intensidade varia entre uma simples sensação de garganta irritada e uma dor intensa que dificulta o engolir. Estão geralmente associadas aos estados gripais, constipações ou a mudanças bruscas de temperatura, o que faz com que não surjam exclusivamente no Inverno, mas ao longo de todo o ano. Uma bebida gelada, numa tarde quente de Verão, pode desencadear uma dor de garganta.

As causas mais frequentes das dores de garganta são as infecções de origem viral, que se manifestam de uma forma mais moderada.

As infecções de origem bacteriana são menos frequentes. Nestes casos a dor é intensa, a garganta apresenta pontos brancos e verifica-se normalmente a ocorrência de febre.

Assim que os primeiros sintomas surgem, é importante não os ignorar, e tratá-los de forma adequada.

Mais vale prevenir-se:

- Mudanças bruscas de temperatura

- Correntes de ar

- Bebidas demasiado frias ou demasiado quentes

- Áreas fechadas, sem circulação de ar

- Tabaco, ambientes poluídos, utilização excessiva de ar condicionado

 

29
Mar09

Conhece a sensação?

Flor

Mais de 50% dos adultos terão um episódio mais tarde ou mais cedo... São incómodas, desconfortáveis e muito, muito embaraçosas! Até a palavra custa a dizer... "Hemorróidas"! No entanto, não são um problema geralmente grave e com o tratamento adequado rapidamente passam à história.

 

O que são hemorróidas?

No canal do ânus, existe uma vasta rede de veias que se estende um a dois centrímetros desde o nível da epiderme até à zona acima do canal anal, onde se encontra com o recto. Quando as veias desta incham com sangue, aparecem as hemorróidas internas (acima do canal anal) ou externas (abaixo da epiderme).

 

Quais são os sintomas mais comuns das hemorróidas?

- Comichão em redor do ânus

- Vestígios de sangue no papel higiénico após evacuar

- Dor e desconforto durante e imediatamente após uma evacuação

- Inchaço visível em redor do ânus

- Sensação de não ter evacuado completamente

 

O que causa as hemorróidas?

Não estão bem esclarecidas as causas da doença hemorroidal, mas sabe-se que diversos factores favorecem o seu aparecimento:

- alterações do trânsito intestinal;

- emprego excessivo de alguns medicamentos (como laxantes);

- alimentação pobre em fibras e rica em especiarias, gordura e álcool;

- gravidez e parto;

- hereditariedade.

 

Conselhos

- Ingira alimentos ricos em fibra. O aumento do consumo de verduras, legumes e cereais auxilia a eliminação das fezes.

- Evite os temperos. Substitua a pimenta e os temperos tradicionais por ervas aromáticas, que não irritam o sistema digestivo.

- Beba muitos líquidos. A água e os sumos naturais facilitam a eliminação natural das toxinas pelo organismo.

- Evite o álcool. As bebidas alcoólicas podem provocar prisão de ventre.

- Faça exercício físico. Caminhe, pelo menos, 30 minutos por dia. É um começo perfeito.

- Evite permanecer muito tempo sentado. Seja no horário de trabalho seja na casa-de-banho a ler.

- Não ignore a vontade. Dirija-se à casa-de-banho sempre que tiver vontade e mantenha horários regulares.

- Não faça esforço. É frequente as mulheres grávidas terem a doença hemorroidal, depois do esforço do parto... Isso poderá acontecer sempre que fizer muito esforço para evacuar.

 

Tratamento

Consulte o médico se sofre de hemorróidas pela primeira vez, a fim de confirmar o diagnóstico e despistar outras doenças que possam provocar sangramento.

 

Atenção! Faça o tratamento até ao fim para prevenir a reinfecção.

29
Mar09

Os pés na diabetes

Flor

 

Porquê cuidá-los?

Os pés estão habitualmente submetidos a um trabalho contínuo e é preciso dedicar-lhes uma atenção especial.
Com o passar do tempo, a diabetes pode produzir uma diminuição de sensibilidade nervosa e alterar a circulação sanguínea. Em consequência, os pés de algumas pessoas com diabetes têm maior risco de sofrer feridas e infecções.
 
Como se avalia o risco?
A sensibilidade nervosa avalia-se de diversas formas, sendo as mais usuais com o diapasão e o monofilamento.
O fluxo sanguíneo comprova-se através da pulsação em diversas partes das pernas ou através de um aparelho chamado doppler.
Quando a sensibilidade nervosa ou o fluxo sanguíneo estão abaixo de certos limites, as pessoas com diabetes devem tomar maiores precauções.
As deformações articulares, pé plano, e as zonas de pressão excessivas, facilitam o aparecimento de úlceras.
 
Cuidados pessoais
As pessoas em risco devem ser ensinadas pela equipa de saúde, e a prevenção mais eficaz pode ser feita pelo próprio doente.
Os cuidados pessoais baseiam-se fundamentalmente na:
·         Inspecção periódica de todo o pé.
·         Higiene diária e higiene adequada das unhas.
·        Escolha apropriada de calçado, incluindo as respectivas medidas, e meias. O sapato deve adaptar-se ao pé e não o pé ao sapato.
·         Prevenção de feridas. Não andar descalço, evitar fontes de calor directo e examinar o interior do calçado.
·         Estilo de vida saudável (não fumar, andar regularmente, evitar beber álcool e evitar comer gorduras animais…).
 
Atenção médica
A aplicação das medidas atrás mencionadas por parte dos doentes e o tratamento adequado e imediato das lesões, tem feito com que, nos últimos anos, se tenham reduzido as amputações nas pessoas com diabetes. Os antibióticos e a cirurgia arterial reconstrutiva têm sido decisivos para a obtenção de bons resultados.
28
Mar09

Curvas na direcção errada

Flor

São as que se formam na coluna vertebral e que dão pelo nome de escoliose, uma condição que afecta sobretudo crianças e adolescentes. Hereditariedade e posturas erradas ajudam a explicar a deformação.

Imagem:Escoliose.jpg

 

A coluna vertebral está para o corpo humano como o mastro para um navio. E tal como o mastro, que parece uma estrutura rígida e direita, também a coluna é vista como um eixo estável. Todavia, ambos são flexíveis — o mastro está preparado para se inclinar ao sabor do vento, até porque de outra forma quebrar-se-ia, e a coluna é composta por elementos articulados que lhe permitem ondear.

Vista de frente ou de trás, a coluna parece uma linha recta, mas de lado revela quatro curvaturas. São curvas necessárias para que possamos executar correctamente os movimentos. Mas há pessoas que apresentam curvas laterais, fazendo com que a coluna se incline na direcção errada. São as pessoas com escoliose, uma deformação mais comum em ciranças e adolescentes e no sexo feminino do que no masculino.

A escoliose desenvolve-se gradualmente, sendo muitas vezes diagnosticada entre os 10 e os 14 anos, coincidindo com o surto de crescimento próprio da puberdade. Quando se torna óbvia, a curvatura lateral tanto pode ser em "C" como em "S", o que, no primeiro caso significa que há uma inclinação lateral para a direita ou para a esquerda e, no segundo caso, corresponde a uma dupla inclinação, uma em cada sentido da caixa torácica.

Esta assimetria acaba por tornar-se visível, mesmo quando a deformação da coluna não é muito evidente: é que, em consequência da escoliose, um dos ombros apresenta-se mais elevado do que o outro. Por vezes, nota-se uma saliência nas costas.

A maioria das vezes desconhece-se a causa da escoliose, falando-se então em escoliose idiopática. Mas sabe-se que a hereditariedade pode ter influência, o que significa que filhos de pais com deformações da coluna têm um probabilidade de sofrer do mesmo problema. O que se sabe também é que posturas corporais deficientes são prejudiciais à estabilidade da complexa estrutura de vértebras, músculos e ligamentos, podendo afectar tanto a região lombar (inferior) como a dorsal (média). São posturas adquiridas no caminhar (por exemplo, quando fazem recair sobre um dos ombros todo o peso da mochila escolar) ou no sentar.

 

Cirurgia como último recurso

A maioria das vezes, a escoliose é ligeira e não afecta a qualidade de vida. Mas casos há em que é causa de grande desconforto, quer físico, quer psicológico. Uma rapariga em plena adolescência pode ter vergonha de usar certas roupas, nomeadamente camisolas justas, se a coluna tiver uma curva acentuada.

Quando há lugar a intervenção médica — na pessoa de um ortopedista, o especialista em questões relacionadas com os ossos —, o primeiro psso é a realização de uma radiografia, assim se obtendo uma imagem clara da coluna e das suas curvas na direcção errada. Existem técnicas que permitem medir a deformação, em graus, e em função dos resultados é definido o tratamento.

Os casos mais ligeiros beneficiam de fisioterapia — ginástica específica — e de exercícios como os da natação. Os mais severos podem requerer o uso de um colete torácico próprio, concebido para impedir a coluna de formar mais curvas. Não corrige as deformidades existentes, mas impede que elas se acentuem.

Algumas situações só se ultrapassam com recurso a cirurgia: trata-se de uma intervenção que visa transformar num só os ossos da coluna onde a cirva se desenvolveu. É um procedimento que implica hospitalização e alguns meses de recuperação, até que se possa voltar em pleno às actividades habituais.

Esta intervenção é necessária para prevenir complicações da escoliose, na medida em que uma coluna eformada pode abrir caminho a problemas articulares, respiratórios e até cardíacos,

A boa notícia é que, na maioria dos casos, a escoliose é discreta, além de que, com o tratamento adequado, não impede uma vida activa.

 

Retrato da coluna

A coluna vertebral é uma estrutura complexa que atravessa longitudinalmente o tronco, estendendo-se da pélvis à cbeça. É ela o pilar do corpo humano, suportando a cabeça, sustentando o tronco, envolvendo e protegendo a espinal medula e participando em todos os movimentos, incluindo os dos membros.

É a sua localização que lhe permite desempenhar estas funções — no pescoço é mais central, no tórax está numa posição mais posterior (mais para trás, devido à presença de múltiplos órgãos) e na região lombar (mais próxima da pélvis) regressa ao centro, de modo a suportar o peso do tronco. Vista de frente ou de trás é uma linha recta, mas de lado apresenta quatro curvaturas de baixo para cima — uma cervical, outra dorsal, uma terceira lombar e uma quarta junto ao cóccix.

É composta por vértebras — 7 cervicais, 12 torácicas, 5 lombares (nalguns casos 6) — separadas por discos (que funcionam como amortecedores e permitem a mobilidade das vértebras) e unidas por ligamentos e músculos. Depois vem o osso Sacro constituído por 5 vértebras fundidas e, finalmente, o osso cóccix (4 fundidas) — este conjunto conhecido como coluna sacro-coccigea.

26
Mar09

Celulite, a outra

Flor

A celulite mais conhecida é a que se evidencia nos corpos femininos, denunciando um inestético excesso de gordura. Mas há outra: uma infecção bacteriana das camadas profundas da pele que afecta sobretudo as pernas e que, se não tratada, pode ser uma ameaça à vida.

  

 
É o mesmo nome para duas condições bem distintas, nas causas e, sobretudo, nas consequências. A celulite de que mais se fala – e que mais se vê nos dias quentes de Verão – é causada por cordões” de tecido fibroso que ligam a pele ao músculo que se encontra por baixo do tecido adiposo, puxando a pele para baixo, com as células de gordura no meio. O acumular de células adiposas faz com que se empurrem contra a pele, enquanto os cordões fibrosos puxam parte da pele para baixo, conferindo-lhe o aspecto irregular semelhante a casca de laranja.
Mas há outra celulite, menos conhecida mas comum e bastante mais grave. É a que resulta da acção de bactérias como os estreptococos e os estafilococos, que penetram na pele infectando a sua camada mais profunda e os tecidos subcutâneos.
A pele é uma barreira eficaz contra as agressões, nomeadamente contra os agentes patogénicos. Contudo, basta uma pequena quebra nesta barreira – um corte, uma picada, um arranhão ou uma úlcera – para que as bactérias possam penetrar e multiplicar-se, espalhando-se e causando infecção. Pele vermelha, inflamada e quente são os sintomas desta celulite que, tal como a outra, prefere as pernas. Mas não as coxas – a infecção instala-se sobretudo na parte inferior das pernas, começando junto aos tornozelos e tornando-se mais visível nas canelas (o lado frontal das pernas). Com o avançar da inflamação, a pele ganha uma consistência mole, podendo formar-se bolhas. Dor e febre são frequentes. Aliás, uma sensação febril costuma emergir antes das alterações cutâneas.
Qualquer pessoa pode ter celulite. Ao contrário da outra, que prefere o género feminino, esta tanto se manifesta em mulheres como em homens.
Mas há pessoas com uma maior vulnerabilidade: são as que têm o sistema imunitário debilitado (por estarem a fazer quimioterapia, por exemplo), as que sofrem de diabetes mas não a controlam devidamente, as que têm regularmente as pernas inchadas ou têm excesso de peso, bem como quem têm episódios frequentes de pé-de-atleta. É que esta infecção fúngica propicia lesões na pele (sobretudo entre os dedos do pé) que podem ser uma porta de entrada para as bactérias causadoras da celulite.
Os idosos apresentam também alguma fragilidade, na medida em que o sistema circulatório perde alguma eficácia, atrasando a chegada dos glóbulos brancos (células sanguíneas que combatem as infecções) às diversas regiões do corpo. Apesar do risco associado à idade, as crianças não estão a salvo deste tipo de celulite: nelas a situação adquire carácter de urgência, devendo, perante os sintomas, ser procurada de imediato ajuda médica. Nas crianças e adultos, a cara é mais frequentemente afectada.
 
Uma ameaça potencial
Aliás, se a pele se apresentar vermelha, inchada, quente e mole deve ser consultado o médico o mais cedo possível. É que é fundamental identificar e tratar esta celulite precocemente, dado que a infecção pode espalhar-se pela corrente sanguínea e dar origem a uma situação potencialmente fatal.
O tratamento faz-se à base de antibióticos, dado que se trata de uma infecção bacteriana: é que estes medicamentos são concebidos especificamente para combater bactérias, não se revelando eficazes em doenças causadas por vírus. Na maioria das vezes, são prescritos antibióticos orais (comprimidos ou cápsulas), sendo fundamental tomá-los na dose e pelo tempo recomendados pelo médico, mesmo que os sintomas melhorem. Os casos mais graves podem requerer internamento e a administração do medicamento por via intravenosa (injectável).
Paralelamente à terapêutica, há outros cuidados a adoptar, nomeadamente manter as pernas elevadas. É que a gravidade contribui para diminuir o inchaço. Não basta, porém, apoiar as pernas num banco, é preciso que o tornozelo fique mais alto do que as ancas: uma forma de o conseguir é, por exemplo, deitar-se no sofá e apoiar as pernas no respectivo braço ou, na cama, colocar várias almofadas sob a extremidade inferior do colchão. Outros cuidados úteis passam pela limpeza diária da pele afectada e pela aplicação de um creme hidratante. Pachos frios e húmidos também proporcionam alívio.
A celulite de origem bacteriana é para levar a sério. É que a infecção pode espalhar-se rapidamente, sendo várias as complicações possíveis: se afectar a pele em redor dos olhos há o risco de chegar ao cérebro; se penetrar na corrente sanguínea pode infectar as válvulas cardíacas ou abrir caminho a uma septicemia (por libertação de toxinas no sangue).
São riscos que se podem prevenir, sobretudo quando se tem subjacente um factor de risco como a diabetes ou problemas circulatórios. Há que cuidar da pele, mantendo-a a salvo de lesões.
Hidratar, cortar cuidadosamente as unhas de mãos e pés, proteger as mãos (com luvas quando executar tarefas que possam agredi-las) e os pés (usando calçado confortável e adequado ao esforço a desenvolver), tratar atempada e correctamente as infecções cutâneas superficiais (como o pé-de-atleta).
Importante é também vigiar a pele e agir rapidamente se detectar alterações, por ligeiras que pareçam: uma mancha de pele que fique quente e vermelha ou que pareça estar a alargar deve suscitar uma consulta médica. É que a celulite trata-se e permite uma recuperação completa se diagnosticada a tempo. Já a outra celulite é mais persistente, teimando em manter-se apesar das várias ofensivas para devolver à pele a sua textura lisa...
26
Mar09

Nervo sob pressão

Flor

Quando um dos nervos que une a coluna aos membros inferiores fica sob pressão, a dor acontece: é a ciática. Uma hérnia discal é, com frequência, a causa, mas esforço excessivo e posturas incorrectas também podem ter responsabilidades.

 
Não é uma doença, mas um sintoma de um problema envolvendo o nervo a que foi buscar o nome – o nervo ciático, o mais longo do corpo humano e que desce da coluna vertebral até aos pés, passando pelas nádegas e por cada uma das pernas. É ele que controla a maioria dos músculos dos membros inferiores, conferindo sensibilidade às coxas, pernas e pés.
A ciática ocorre quando este nervo é sujeito a pressão, geralmente na região lombar (a parte inferior da coluna). E a causa é, quase sempre, uma hérnia discal (ver caixa). Mas pode ser igualmente um tumor espinal ou um trauma, resultante, por exemplo, de um acidente de viação ou de uma queda.
A dor é, então, a principal consequência. Uma dor que irradia da coluna em direcção às nádegas, continuando em sentido descendente ao longo do percurso do nervo ciático. E que é de intensidade variável, desde ligeira a muito intensa, acompanhada de uma sensação de queimadura e de extremo desconforto, sendo ainda descrita como semelhante a um choque eléctrico. Tossir ou espirrar pode agravá-la, o mesmo acontecendo quando se está demasiado tempo sentado. E, apesar de o nervo se dividir em dois a partir da coluna, geralmente apenas é afectada uma das extremidades.
À dor pode juntar-se dormência e fraqueza muscular, na perna ou no pé. E nos dedos ou noutra parte do pé pode sentir-se formigueiro.
Qualquer pessoa pode queixar-se de ciática, mas ela é mais frequente a partir dos 30 anos, devido aos efeitos do envelhecimento sobre a estrutura da coluna vertebral. É a partir da terceira década de vida que os discos que separam as vértebras – funcionando como um amortecedor quando se movem – começam a sofrer alguma deterioração, abrindo caminho a uma hérnia discal.
Também a ocupação profissional é um factor de risco se envolver a condução de veículos por longos períodos, o transporte de cargas pesadas ou movimentos que impliquem esforço para a coluna. Até porque posturas corporais incorrectas acabam por exercer pressão sobre o nervo. A ciática é ainda comum em pessoas sedentárias ou que passam demasiado tempo sentadas. E pode também ser consequência da diabetes, dado que esta doença crónica relacionada com o metabolismo do açúcar aumenta o risco de neuropatia (lesões nos nervos).
 
Medidas contra a dor
Em muitos casos, a ciática responde bem aos chamados auto-cuidados. Deles faz parte a aplicação de frio – gelo, por exemplo – sobre as áreas doridas durante 15 a 20 minutos, várias vezes ao dia. Ao fim de 48 horas, torna-se mais eficaz o calor – compressas quentes ou um saco de água quente. Se a dor se mantiver, pode ser alternado o frio com o calor.
Para aliviar a dor podem ser tomados medicamentos próprios, de indicação farmacêutica – são os analgésicos. Contudo, a sua eficácia é limitada, pelo que é inútil aumentar a dose quando a dor é severa. As situações mais graves podem requerer outro tipo de intervenção, com recurso a medicamentos de prescrição médica, como os relaxantes musculares ou anti-inflamatórios. A dor crónica pode beneficiar ainda de um certo tipo de antidepressivos (tricíclicos), na medida em que impedem que a mensagem de dor alcance o cérebro ou estimulam a produção de endorfinas, os analgésicos naturais do organismo.
A libertação de endorfinas resulta igualmente da prática de exercício físico. Pode parecer contraditório quando há dor, mas os alongamentos são uma arma eficaz contra a ciática, uma vez que aligeiram a compressão na raiz do nervo, diminuindo o desconforto.
Também os exercícios na água ou numa bicicleta estática contribuem para atenuar os sintomas. Naturalmente desde que praticados com moderação.
A fisioterapia faz, aliás, parte do arsenal terapêutico contra a ciática, envolvendo a correcção da postura, o fortalecimento dos músculos que apoiam a coluna e a melhoria da flexibilidade. Desta forma previne-se que a dor regresse.
Já o repouso, deve ser moderado: apenas numa fase inicial, sob pena de a inactividade se prolongar, agravando os sintomas da ciática em vez de os atenuar.
Algumas situações não reagem a estas medidas, exigindo uma intervenção mais agressiva. Entre as opções encontra-se a cirurgia, nomeadamente para remover a hérnia discal e assim aliviar a pressão sobre o nervo.
A maior parte das pessoas recupera totalmente, mas a ciática é uma ameaça potencial à saúde do nervo.
Dependendo da causa da pressão, pode dar origem a insensibilidade na perna afectada, perda de movimento ou disfunção urinária ou intestinal, sendo que esta última consequência pode indiciar um problema mais grave, ainda que raro – síndrome da cauda equina. Significa isto que a dor não deve ser ignorada nem negligenciada.
 
Discos gastos
A hérnia discal é a principal causa da ciática. Trata-se de uma deformação do disco responsável pela união dos ossos da coluna vertebral. Cada vértebra é separada por um disco de cartilagem formado por um anel externo fibroso (duro) e uma parte interna mole, que funciona como um amortecedor, impedindo a fricção entre vértebras e permitindo a flexibilidade de movimentos.
Sem os discos, a coluna seria uma estrutura rígida. Acontece que os discos degeneram, em consequência do envelhecimento mas também de traumatismos. Significa que a substância interna sai através do anel fibroso, formando uma protuberância – a hérnia discal. Sem protecção, o disco acaba por comprimir a raiz do nervo ciático, provocando dor.
 
Antes que doa...
Nem sempre a ciática é prevenível, mas é possível minimizar as probabilidades de ocorrência. Proteger as costas passa por:
·        Fazer exercício regularmente – com especial atenção para os músculos do abdómen e da região inferior das costas;
·        Manter uma postura correcta na posição de sentado – uma cadeira ergonómica, que acompanhe a curvatura natural das costas, é fundamental; ao usar o computador, a cadeira deve ser ajustada de modo a que os pés assentem no piso e os braços fiquem apoiados fazendo com os cotovelos um ângulo recto; o banco do carro deve ser também ajustado, evitando que as pernas estiquem demasiado para chegar aos pedais; convém não permanecer muito tempo sentado, fazendo intervalos para esticar as pernas;
·        Fazer bom uso da mecânica corporal – tem a ver com a forma como se permanece de pé, se levanta objectos e se dorme. Em pé, deve procurar-se desnivelar um dos pés, apoiando-o, por exemplo, num degrau. Ao levantar objectos devem dobrar-se os joelhos e não as costas, colocando o esforço sobre as pernas; os objectos devem ser transportados encostados ao corpo na linha de cintura; os movimentos de rotação não devem envolver a cintura, mas os pés. Quanto à postura para dormir, o colchão deve ser confortável e a almofada não deve forçar o pescoço.
24
Mar09

Apetite & ansiedade

Flor

É quase inevitável: a falta de apetite dos filhos alimenta a ansiedade dos pais. Mas, o que eles (não) comem, nem sempre é sinónimo de um problema, existindo estratégias para lhes abrir o apetite.

 

Histórias de crianças que não têm apetite enchem o quotidiano, cruzando-se nas conversas de mães que desesperam à vista de um filho que se recusa a comer, obrigando a mil e uma manobras de diversão para ingerir uma refeição. São histórias que falam da recusa em comer a sopa, o peixe ou os legumes, mas também alimentos que normalmente são mais apelativos para as crianças. Falam de colheradas empurradas à custa de muita paciência, de refeições que se arrastam como se de uma batalha se tratasse.
A verdade é que a alimentação é uma das principais fontes de ansiedade dos pais. Independentemente da idade dos filhos, o que eles comem ou não é sempre gerador de alguma preocupação. De tal forma que, a determinada altura, os próprios filhos usam essa “arma” contra os pais.
Importa, no entanto, saber que aquilo que os pais consideram falta de apetite – e que tem, geralmente, a ver com a quantidade ingerida – pode ser normal à luz do desenvolvimento da criança. Desde logo, porque a criança não precisa sempre da mesma quantidade de nutrientes. E depois, porque, com a idade, se vai tornando mais selectiva face ao que come, manifestando preferências. Além disso – e não é menos importante – é influenciada pelos hábitos familiares à mesa.
Durante o primeiro ano de vida, o crescimento da criança processa-se com muita rapidez – cerca de 25 centímetros em altura –, mas a partir do segundo ano esse ritmo desacelera, até que entre os três e os seis apenas cresce, em média, cinco a sete centímetros por ano. Ora, a diferentes velocidades de crescimento correspondem diferentes necessidades nutricionais e energéticas, o que se reflecte no apetite.
Pelo segundo ano de vida, outro obstáculo se impõe entre a criança e as refeições: nessa idade, já se movimenta facilmente pela casa, facto que lhe estimula a curiosidade e torna mais árdua a tarefa de a manter sentada à mesa, em frente a um prato de comida.
Além disso, à medida que cresce, a criança torna-se mais autónoma, o que, em termos alimentares, significa que vai sendo mais selectiva, começa a fazer escolhas, nem sempre as mais saudáveis. Até porque, quando chega a idade escolar, tem à sua disposição uma variedade de guloseimas que perturbam o apetite à hora das refeições. E antes disso há o apelo dos brindes oferecidos em troca de um pão, de chocolate ou batatas fritas.
Mais tarde, e sobretudo sobre o sexo feminino, é exercida uma certa pressão social que induz as adolescentes na crença de que magreza é sinónimo de beleza e sucesso. Dominadas por um receio intenso de ficarem gordas, vão-se privando de alimentos – ficam pele e osso e, mesmo assim, não gostam do que vêem ao espelho. É a conhecida anorexia nervosa, um distúrbio do comportamento alimentar que ameaça seriamente a saúde de muitas jovens.
É claro que, do ponto de vista clínico, há justificações para a perda pontual de apetite. Mas muitas vezes o problema é educacional. E pode mesmo decorrer de um certo sentimento de culpa das mães – tradicionalmente responsáveis pela alimentação da família, mas que, hoje em dia, trabalham fora de casa, investem na carreira profissional com a consequente falta de tempo para estar em casa, fazer compras ou refeições. O resultado pode ser a tentação de compensar os filhos, oferecendo-lhes ou, pelo menos, permitindo-lhes o acesso a todos aqueles alimentos considerados pouco saudáveis.
 
Limites e exemplos
A falta de limites é um risco, em muitas áreas da educação de um filho, mas também no que toca à alimentação. Os primeiros cuidados impõem-se logo no primeiro ano de vida, com a introdução de novos ingredientes na dieta infantil, que até aos quatro meses se faz exclusivamente de leite, materno ou não. É então importante oferecer à criança variedade – no sabor e na textura dos alimentos, para que ela vá provando de tudo um pouco e para evitar que crie aversão a alguns deles. É claro que haverá sempre um ou outro que ela rejeita e, nesse caso, convém não a forçar, substituindo esse alimento por outro do mesmo grupo nutricional.
Há que respeitar o gosto da criança, mas também não se pode facilitar.
A criança precisa de aprender a conhecer os novos sabores para poder aceitá-los, um conhecimento só possível quando o alimento lhe é oferecido várias vezes. Há mesmo estudos que indicam que são precisas dez tentativas para a aceitação do alimento. Por isso, nada de eliminar um determinado alimento da dieta infantil só porque a criança torce o nariz da primeira vez que o prova. Há que insistir e só depois, face a uma recusa sistemática, escolher uma alternativa.
Neste processo educativo, é fundamental que pais e filhos partilhem a refeição. Não apenas no sentido de se juntarem à mesa para o almoço e o jantar, mas também no sentido de que todos adultos e crianças – devem comer o mesmo prato, os mesmos alimentos. Se os pais não comem legumes, como convencerão a criança de que são saborosos? Há que dar o exemplo, mesmo que às vezes isso implique alguns amargos de boca... Além de que os miúdos não perdoam – e, mais cedo ou mais tarde, serão eles a chamar a atenção para a incongruência dos pais, deixando-os a braços com uma explicação nem sempre fácil de dar.
Outra regra de ouro é não substituir a refeição quando a criança diz que não gosta e se recusa a comer. É uma tentação correr para a cozinha a preparar-lhe o seu petisco preferido, mas o preço a pagar pode ser elevado: é que ela vai perceber que, recusando-se a comer, lhe farão a vontade e vai usar esse trunfo sempre que o almoço não lhe agradar. É uma espécie de chantagem, em que as crianças são peritas, uma armadilha em que os pais caem facilmente.
E nisto de chantagens, também os pais caem em tentação: o exemplo mais comum é o de oferecer um pequeno prazer ou recompensa, um doce nomeadamente, em troca de comer a sopa toda. É dar à criança mais uma arma para obter benefícios dos pais. Rapidamente, ela aprenderá a usar a alimentação para chamar a atenção. E provavelmente vencerá, porque filho que não come é uma dor de cabeça para os pais. Mesmo que custe, o mais correcto é retirar o prato da mesa: não come o que lhe foi proposto, não come mais nada. Até que a fome apertará...
É claro que, embora seja importante definir limites, as refeições não devem transformar-se num cenário de conflito. Há formas de as tornar agradáveis e de dar a volta à recusa infantil, investindo, por exemplo, na aparência dos pratos – optando por alimentos de cores diferentes, dispondo-os de uma maneira alegre; ficam mais apetecíveis. Não se trata de mascar os alimentos, apenas de enfeitar um pouco o prato. Quando já são mais crescidinhos, deixá-los participar na confecção das refeições também estimula o seu interesse pela alimentação: se cortaram a cenoura para a sopa, certamente a comerão com mais prazer...
Em regra, os pais preocupam-se demasiado com a alimentação dos filhos. Esta é, aliás, uma questão recorrente em consultas médicas, com os pais ansiosos com a possibilidade de os filhos não estarem a comer o suficiente e, em consequência, não se estarem a desenvolver harmoniosamente. Preocupam-se, por assim dizer, por uma boa causa e, muitas vezes, com razão, a justificar, por exemplo, a toma de um suplemento de minerais e vitaminas que estimula o apetite. Todavia, esta é uma decisão que carece de aconselhamento de um profissional de saúde, pois os suplementos, apesar de benéficos, não são inócuos e não devem ser tomados, e muito menos dados às crianças, por iniciativa própria.
22
Mar09

Sida sem barreiras

Flor

Há muito que a sida ultrapassou barreiras. Já não é uma doença de homossexuais nem de toxicodependentes: é uma doença que pode ser de qualquer pessoa. E está na mão de todos limitar esta epidemia: prevenir é possível, com comportamentos seguros e realizando o teste que tira todas as dúvidas.

 
Os números são Coordenação Nacional para o VIH/Sida: até 31 de Dezembro de 2007 estavam notificados em Portugal 32.491 casos de infecção, nos seus diferentes estágios.
O maior número corresponde a infecção em consumidores de drogas injectáveis, com 43,9 por cento das notificações. Esta percentagem confirma a tendência inicial da epidemia no nosso país, mas o mesmo não acontece com o segundo maior grupo de casos – os de infecção por via heterossexual, representante de 38,8 por cento do total e com tendência para crescer. Quanto à transmissão por via homossexual, diz respeito a 12 por cento dos registos, havendo ainda 5,3 por cento relativos a outras fontes de contágio.
A esmagadora maioria dos infectados pertence ao sexo masculino – 82 por cento do total. E, por idades, o maior impacto – 84,2 por cento – verifica-se entre os 20 e os 49 anos.
São números que se actualizam todos os anos, nomeadamente por ocasião do Dia Mundial da Sida, que se assinalou no primeiro dia deste mês de Dezembro. Uma oportunidade para traçar, em perguntas e respostas, o quadro desta infecção que foi considerada a epidemia do século XX mas que perdura pelo XXI.
 
O que é a sida?
O termo “sida” faz parte do vocabulário quotidiano, sendo usado com valor próprio e, como tal, reconhecido nos dicionários de língua portuguesa. No entanto, originalmente, corresponde a uma sigla formada pelas primeiras letras da expressão “Síndrome da ImunoDeficiência Adquirida”: Síndrome consiste num grupo de sintomas que, colectivamente, caracterizam uma doença; ImunoDeficiência significa que a doença se caracteriza pelo enfraquecimento do sistema imunitário (defesas do organismo); Adquirida quer dizer que a doença não é hereditária, mas sim que se desenvolve após o nascimento por contacto com o agente infeccioso.
A sida é uma doença infecciosa grave e potencialmente fatal causada pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH ou HIV, na língua inglesa). Foram identificadas duas estirpes deste vírus – o VIH1 e o VIH2.
 
Como se transmite o vírus causador da sida?
O VIH transmite-se de três formas: através do sangue, das secreções sexuais e de mãe infectada para filho (a chamada transmissão vertical).
A transmissão por via sanguínea implica, naturalmente, que haja contacto com sangue (ou produtos seus derivados) infectado e que ele penetre na corrente sanguínea da pessoa saudável. Assim, a principal fonte de infecção é a partilha de seringas e outros objectos entre consumidores de drogas injectáveis.
Existe igualmente risco, ainda que menor, na partilha de lâminas de barbear, instrumentos de furar orelhas e de tatuagens, de piercings e de alguns utensílios de manicura (os cortantes). Preferencialmente, devem ser de uso individual ou descartável. Caso não seja possível, todos estes objectos devem ser rigorosamente esterilizados.
A transmissão do vírus através de uma transfusão sanguínea não constitui actualmente um problema, na medida em que tanto o sangue como os seus componentes são testados previamente. Também a doação de sangue é segura, dado que o material utilizado na colheita é descartável e esterilizado.
A sida é considerada uma doença sexualmente transmissível pois as secreções sexuais — esperma e fluidos vaginais — constituem uma das principais fontes de contágio do VIH. O risco existe sempre que haja uma relação sexual sem protecção, seja ela vaginal, oral ou anal. Protecção é sinónimo de preservativo no que se trata a sexo, indispensável em qualquer relação sexual, por mais saudável que a pessoa aparente ser.
Relações sexuais com parceiros ocasionais ou múltiplos parceiros, independentemente de se tratar de um relacionamento hetero ou homossexual, aumentam o risco. Basta um contacto sexual não protegido com uma pessoa infectada para o vírus se poder transmitir. Quanto à chamada transmissão vertical, de mãe para filho pode acontecer durante a gravidez, quando o sangue materno circula no feto através da placenta, ou durante o parto, através do contacto com o sangue ou as secreções vaginais. Mais raro mas possível é o contágio durante a amamentação.
 
Como actua o VIH?
O VIH actua sobre as células do sistema imunitário, atacando preferencialmente os linfócitos T4, um tipo de glóbulos brancos do sangue responsáveis pela defesa do organismo contra infecções e tumores.
Uma vez no organismo, o vírus integra-se no código genético das células infectadas, utilizando-as para se reproduzir. Em consequência, as células perdem eficácia e, com o tempo, a capacidade do organismo para combater a doença vai sendo enfraquecida.
 
Qual a diferença entre ser seropositivo e ter sida?
O VIH tem capacidade para permanecer “invisível” no corpo humano, podendo haver infecção sem sintomas. O que acontece é que, na presença do vírus, o sistema imunitário produz anticorpos, detectáveis no sangue através de uma análise específica. Quando eles são identificados, diz-se que a pessoa é seropositiva.
Um seropositivo pode ter uma aparência saudável anos após o contágio, sem sinais da doença. No entanto, está infectado e pode transmitir o vírus. A sida é a fase última desta infecção, correspondendo a uma degradação progressiva do sistema imunitário e à diminuição das defesas contra outras doenças – são as chamadas doenças oportunistas e, com frequência, é quando elas surgem que a sida é detectada.
Entre a entrada do vírus no organismo e o diagnóstico de sida podem mediar vários anos, em média oito a dez. Este período de evolução silenciosa depende de múltiplos factores, entre eles a intensidade e gravidade da infecção, a resistência do sistema imunitário, a ocorrência de outras doenças que possam contribuir para minar as defesas do organismo e o risco de reinfecção em contactos posteriores.
 
Como se trata a sida?
Não existe ainda um modo eficaz de eliminar totalmente o VIH do organismo. Existem, contudo, tratamentos que reduzem a carga viral e atrasam os danos que o vírus causa no sistema imunitário.
Esses tratamentos são compostos, normalmente, por uma combinação de medicamentos que, se tomados de acordo com a orientação médica, fazem baixar a quantidade de vírus no sangue até um nível em que se torna quase indetectável. Isto não significa que o vírus seja erradicado: ele permanece no organismo, mantendo-se o risco de contágio.
Existem três tipos de medicamentos anti-retrovirais, que actuam de formas diferentes e em fases distintas do ciclo de reprodução do VIH e que são administrados de acordo com esquemas terapêuticos individualizados.
 
Como se previne?
Na ausência de uma vacina, a melhor prevenção passa por evitar comportamentos de risco, nomeadamente os associados às principais fontes de transmissão do vírus: as secreções sexuais e o sangue.
A principal arma contra o VIH é a prática de sexo seguro, o mesmo é dizer com preservativo. Fundamental é também não partilhar agulhas, seringas e outro material usado no consumo de drogas injectáveis, bem como outros objectos cortantes.
 
Porquê fazer o teste do VIH /sida?
O teste permite detectar a presença de anticorpos contra o VIH no sangue: um resultado positivo significa que esses anticorpos estão presentes e que, portanto, a pessoa está infectada; já um resultado negativo corresponde à ausência de infecção.
A realização do teste é sempre fulcral, mesmo que o resultado seja positivo: é que, quanto mais cedo ocorrer o diagnóstico, mais cedo se inicia o tratamento e maiores são as hipóteses de retardar a evolução da doença. Por outro lado, o conhecimento da infecção faz com que a pessoa se proteja a si própria (pois existe a possibilidade de reinfecção) e aos outros. E, em caso de gravidez, é possível actuar de modo a minimizar o risco de transmissão de mãe para filho.
 
Quem deve fazer o teste?
A realização do teste é proposta nas consultas médicas regulares, no âmbito das análises de rotina. É, no entanto, voluntária. A sua realização enquadra-se numa atitude preventiva, de vigilância do estado geral de saúde.
O teste faz ainda parte da bateria de exames pré-natais.
Além disso, é importante fazê-lo sempre que haja dúvidas sobre a possibilidade de estar infectado, nomeadamente se houve relações sexuais desprotegidas, partilha de seringas agulhas ou outro material de risco, e contacto directo com o sangue de outra pessoa.
O teste pode ser pedido ao médico de família ou outro da preferência pessoal, bem como nos CAD - Centros de Aconselhamento e Detecção Precoce do VIH, de uma forma anónima, confidencial e gratuita.
22
Mar09

Amores perigosos

Flor

Perigosos são aqueles amores que conduzem a relações sexuais desprotegidas, deixando a porta entreaberta a uma doença sexualmente transmissível. Com riscos sérios para a saúde, que se previnem com um gesto simples: o uso do preservativo.

 

Qualquer pessoa está em risco a partir do momento em que é sexualmente activa. Porque a abstinência sexual — a ausência de contactos de natureza natural — protege completamente contra o contágio por uma doença sexualmente transmissível (DST).
As DST são, como o nome indica, patologias que se contraem através do sexo com alguém infectado. Contudo, neste domínio, sexo deve ser entendido como todos os actos íntimos entre duas pessoas, na medida em que o contacto pele a pele pode ser suficiente para transmitir a infecção.
São mais de duas dezenas as doenças sexualmente transmissíveis, causadas quase sempre por bactérias ou vírus, mas eventualmente por outros agentes. É o que acontece com a tricomoníase. Do ponto de vista clínico, distinguem-se entre as que são curáveis e as que, pelo menos por enquanto, apenas são tratáveis.
Independentemente da origem, tanto podem afectar homens como mulheres, partilhando um conjunto de sintomas cuja presença deve motivar uma consulta médica. Isto porque existe o risco de se desenvolverem complicações associadas e porque, além disso, uma pessoa infectada e não tratada continua a servir de veículo de contágio. Daí a importância de despistar a doença quanto antes, se bem que nem todos os doentes apresentam sinais visíveis da infecção.
 
Identificar quanto antes
Entre os sinais mais comuns das DST destacam-se as alterações na descarga vaginal: alterações na coloração, no odor e na quantidade, sabendo que os fluidos vaginais são, normalmente, transparentes ou esbranquiçados e sem cheiro significativo. Contudo, algumas infecções vaginais produzem os mesmos sintomas, pelo que a existência de uma descarga anormal não é sinónimo automático de uma doença sexual. Importa, no entanto, fazer o despiste, de modo a iniciar prontamente o tratamento adequado.
Pode surgir dor associada à micção (disúria), bem como a sensação de urgência em urinar ou a necessidade de o fazer mais frequentemente. Também aqui é preciso ressalvar que estes mesmos sintomas estão presentes na infecção do tracto urinário, frequentes nas mulheres. Mas doenças como a gonorreia e a clamídia podem causar dor ao expelir a urina.
Ainda no domínio da dor, as mulheres infectadas com uma DST podem senti-la durante ou após o acto sexual.
É a chamada dispareunia, que tanto se manifesta superficialmente, à entre da vagina, ou profundamente na sequência da penetração. Outro sintoma possível são as hemorragias vaginais entre ciclos menstruais ou imediatamente após o acto sexual. Não são um exclusivo das DST, existindo algumas causas não infecciosas (irregularidades menstruais, fibromioma, cancro, entre outras). Todavia, a gonorreia e a clamídia são duas causas comuns destas perdas de sangue. Também os homens apresentam sintomas que devem fazer suspeitar de uma doença sexualmente transmissível. Descargas semelhantes a pus através da uretra, dor ou sensação de queimadura associadas à micção, necessidade de urinar com urgência ou com mais frequência do que o habitual são alguns deles. Nuns e noutras, algumas DST podem dar origem a úlceras genitais.
 
A prevenção na 1ª linha
Perante qualquer um destes sintomas, o caminho é o do médico. É que as DST podem ter consequências graves se não forem tratadas: a clamídia pode causar infertilidade nas mulheres, o vírus do papiloma humano pode evoluir para cancro cervical (do colo do útero) ou do pénis, a sífilis pode conduzir a paralisia, a problemas mentais, a danos cardíacos e à cegueira. E a sida é ainda uma causa significativa de morte, apesar de todos os avanços científicos na busca de um tratamento mais eficaz.
Se, após os exames físicos e laboratoriais, o diagnóstico for positivo, é importante fazer o despiste das diversas DST, na medida em que pode haver uma infecção simultânea. Com o mesmo objectivo, o parceiro sexual deve ser igualmente testado.
Quanto ao tratamento, depende da doença em questão. O que importa reter é que o risco está sempre presente a partir do momento em que se inicia uma vida sexual. Mas nesta altura do ano correm-se riscos acrescidos: as viagens de férias favorecem novos conhecimentos que podem passar a novos parceiros. Por isso, na hora de fazer as malas, há que incluir o melhor amigo da saúde sexual: o preservativo.
 
Sinais suspeitos
Algumas DST evoluem sem sintomas, mas existe um conjunto de sinais que deve suscitar uma consulta médica para despiste da sua causa e posterior tratamento. São eles:
·        Comichão junto à vagina
·        Descarga vaginal com odor e cor anormais
·        Descarga do pénis
·        Dor ao urinar
·        Dor durante ou após o acto sexual
·        Dor na região pélvica
·        Úlceras genitais
·        Febre, dores no corpo e glândulas inchadas
·        Fadiga inexplicável, suores nocturnos e perda de peso.

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