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Saúde Semanal

Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença. E, como técnica auxiliar de saúde, aqui estou para ajudar.

Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença. E, como técnica auxiliar de saúde, aqui estou para ajudar.

Saúde Semanal

16
Mai09

Benigna, mas..

Flor

Assim é a gripe: uma doença infecciosa geralmente benigna mas com um elevado grau de contágio. A cada Inverno ameaça sobretudo os corpos mais frágeis. Prevenir é a melhor resposta e a vacina a protecção mais eficaz.

 
 
 
Falar de gripe num mês que ainda é estival parece um contra-senso. Mas a verdade é que Setembro é também o mês em que o Verão dá lugar ao Outono, a estação do ano que abre a porta à proliferação de vírus respiratórios. O da gripe começa então a chegar, oriundo das terras asiáticas em que começa por se manifestar. Porque não vale a pena correr riscos — a gripe é uma doença benigna mas pode complicar seriamente o estado de saúde — o melhor é conhecer mais sobre este vírus que, em tempos, já dizimou populações inteiras. O melhor é, sobretudo, saber mais sobre as formas de prevenção.
 
O que é a gripe?
A gripe é uma doença respiratória aguda causada pelo vírus influenza. Existem três tipos conhecidos — A, B e C, sendo o primeiro o mais prevalente e que surge associado aos surtos mais graves. Trata-se de um vírus semelhante a um pequeno ouriço, com uma extrema capacidade de mutação, o que significa que, a cada época, se apresenta sob a forma de diferentes estirpes, de gravidade também ela distinta.
O ar é o meio de transporte do influenza, o qual aproveita para atingir o corpo humano.
Daí a facilidade com que se dissemina, o que, na prática, não deixa ninguém a salvo. Além disso, consegue sobreviver 24 horas fora de um organismo vivo, o que aumenta o seu grau de contágio. Estas características tornam a gripe uma infecção altamente contagiante.
 
Quando se manifesta?
A gripe ocorre, mais frequentemente, nos meses de Inverno. Pode manifestar-se logo a partir do Outono, mas atinge o pico entre Dezembro e Março (no hemisfério norte, em que nos situamos). Casos esporádicos podem, no entanto, surgir ao longo do ano.
A prevalência da gripe nos meses frios explica-se pelo facto de, num contexto de baixas temperaturas e ausência de radiação ultravioleta, o vírus sobreviver o tempo suficiente para poder ser transmitido por uma pessoa doente a outra saudável. No Inverno existem ainda outros factores que facilitam o contágio, nomeadamente o facto de as pessoas passarem mais tempo em recintos fechados.
 
Como se transmite?
O contágio faz-se através de partículas de saliva libertadas por uma pessoa infectada quando fala, tosse, espirra ou simplesmente respira. Não é, pois, necessário o contacto físico com uma pessoa doente, bastando alguma proximidade, na medida em que o vírus viaja pelo ar até ao organismo (saudável) mais próximo. Uma vez instalado o vírus, o período de incubação é de dois dias, emergindo então os sintomas, sendo o período de contágio de um ou dois dias antes da incubação e cinco após o início dos sintomas. Porém, em crianças e imunodeprimidos, este prazo alarga-se até uma semana.
 
Quem está em risco?
Todas as pessoas, desde que não imunizadas, podem ter gripe. Contudo, há pessoas mais vulneráveis sobre cuja saúde a infecção pode ter consequências mais graves: são elas os idosos, as crianças dos seis aos 23 meses, os doentes crónicos (que sofram de patologias cardíacas ou pulmonares como a asma e a bronquite crónica, bem como os insuficientes renais e diabéticos) e todos os indivíduos debilitados do ponto de vista das defesas do organismo (como os doentes com sida).
 
Quais os sintomas?
Nos adultos, a gripe manifesta-se por um súbito mal-estar, febre alta, dores musculares e articulares, tosse, arrepios e dores de cabeça. Pode também ocorrer inflamação dos olhos. Nas crianças, os sintomas podem diferir consoante o grupo etário. A prostração é frequente, sobretudo nas que têm menos de quatro anos, sendo igualmente comuns náuseas, vómitos, diarreia e dores abdominais; a febre tende a ser elevada e, entre um e os três anos, a gripe complica-se com uma otite média.
 
Como se diagnostica?
O diagnóstico é feito com base nos sintomas tópicos já referidos. Ajuda também o facto de a gripe se declarar por surtos e no Inverno, o que aumenta a probabilidade de haver muitas pessoas a partilhar os mesmos sintomas.
 
Como se trata?
O tratamento da gripe dirige-se aos sintomas, abrangendo medidas como repouso e ingestão abundante de líquidos, bem como medicamentos para baixar a febre e aliviar as dores, vapores de água para atenuar a tosse e descongestionar o nariz.
 
Qual o grau de gravidade da gripe?
A gripe é geralmente benigna, mas o facto de ter um curto período de incubação e uma elevada taxa de transmissão torna-a potencialmente grave. Na medida em que, muitas vezes, é menosprezada e os seus sintomas negligenciados, pode evoluir para um quadro mais sério, nomeadamente doenças respiratórias como a bronquite e a pneumonia, as quais podem implicar internamento hospitalar. As pessoas idosas ou debilitadas por doenças crónicas são mais vulneráveis.
 
Como se evita?
Reduzir os contactos com pessoas infectadas é uma medida útil, mas o melhor mesmo é prevenir de uma forma mais segura — através da vacinação. É que a vacina antigripal tem uma eficácia de 75 por cento. E mesmo quando não evita a doença, em 98 por cento dos casos contribui para diminuir a gravidade dos sintomas.
O ideal é que a vacinação se faça em Setembro ou Outubro, de modo a que os anticorpos dela recebidos estejam em pleno quando chega o tempo frio (eles levam duas semanas a instalar as suas barreiras antivírus).
A imunização deve ser repetida todos os anos, pois a vacina é concebida anualmente de modo a enfrentar o vírus específico de cada época gripal. É que o vírus muda constantemente e a vacina tem de se adequar às novas estirpes.
 
Quem se deve vacinar?
Toda a gente se pode vacinar, mas há grupos mais vulneráveis à gripe que não devem descurar esta protecção: são eles as pessoas com 65 e mais anos, principalmente se residirem em lares; todas as pessoas que sofram de diabetes ou doenças crónicas dos pulmões, coração, fígado e rins ou que sejam portadoras de outras patologias que diminuam a resistência às infecções.
Também os profissionais de saúde se devem vacinar: como defesa para si próprios e como defesa de terceiros. Pelo contrário, não devem vacinar-se pessoas com alergia ao ovo, na medida em que esta é uma das matérias-primas da vacina antigripal.
 
Em caso de gripe…
·         Repouse, fique em casa e minimize os contactos sociais, de forma a diminuir o risco de contágio;
·         Descanse, beba muitos líquidos e mantenha a sua alimentação habitual;
·         Evite mudanças de temperatura;
·         Não se abafe demasiado;
·         Tome medicamentos para baixar a febre e aliviar as dores, mas não tome antibióticos sem consultar o médico;
·         Se tiver tosse, crie uma atmosfera húmida;
·         Aplique soro fisiológico para desentupir o nariz;
·         Se a febre não baixar ao fim de quatro dias, vá ao médico;
·         Se estiver grávida ou a amamentar não tome medicamentos sem consultar o médico;
·         Não se vacine se já estiver doente.
 
Não confundir…
A gripe é com frequência confundida com uma constipação, mas, apesar de haver sintomas comuns, há aspectos que as diferenciam: o primeiro é o facto de a constipação se restringir às vias respiratórias superiores — assim, as pessoas constipadas têm o nariz entupido, espirram, apresentam os olhos húmidos e a garganta irritada, mas não têm febre nem dores no corpo. Além disso, os sintomas da gripe declaram-se de uma forma súbita, enquanto os da constipação surgem gradualmente.

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