Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença. E para sua saúde, aqui estou para ajudar. Todas as semanas, novos posts são publicados e se algum lhe interessar, contacte para mais informações.

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Abr 09

Este é um apelo que surge associado à dor: não há razão para sofrer em silêncio. A dor é causa de sofrimento físico e emocional, pelo que não deve ser ignorada nem negligenciada: é possível tratá-la e recuperar qualidade de vida.

 
 
 
“Eu é que sei o que me dói!”. Este é um desabafo que se ouve com frequência, muito revelador da subjectividade que gravita em torno da dor. É que não há duas dores iguais e a mesma lesão pode desencadear sensações de intensidade distinta em duas pessoas diferentes ou até na mesma pessoa em momentos diferentes. Além disso, até há dor sem lesão aparente, o que contribui ainda mais para o seu carácter subjectivo.
A verdade é que a dor é um fenómeno complexo, que envolve uma componente sensorial mas também uma componente emocional. É, naturalmente, uma experiência desagradável, mesmo para as pessoas mais resistentes.
Apesar disso, é com frequência subestimada, quer por doentes, quer por profissionais de saúde. Talvez pela sua própria subjectividade, tende a ser escondida, negada e até negligenciada. Com repercussões negativas na qualidade de vida: uma dor que é ignorada pode persistir, limitando a capacidade para as actividades do quotidiano.
Pela sua importância, os especialistas tendem a reconhecer a dor como o quinto sinal vital, juntando-a à frequência cardíaca, à frequência respiratória, à pressão arterial e à temperatura corporal como os parâmetros a medir no momento de avaliar o estado de saúde. Também por isso, existe um Plano Nacional de Luta Contra a Dor, no âmbito do qual foram criadas ou estão em constituição unidades de dor nos hospitais públicos do país.
 
De amiga a inimiga
A dor é, indiscutivelmente, uma experiência desagradável, fonte de sofrimento em maior ou menor grau. Mas, em certa medida, é também uma sensação benéfica para o organismo: assim acontece com a chamada dor aguda, que funciona como um sinal de alarme, avisando para uma alteração física resultante, por exemplo, de um traumatismo, de uma úlcera gástrica ou de uma queimadura.
É, aliás, a dor que justifica a maior parte da procura de cuidados de saúde por parte da população. Seja aguda, seja crónica. A dor aguda caracteriza-se pela duração limitada, sendo, quase sempre, possível definir o seu início e a causa. Constitui, por isso, um sintoma importante para o diagnóstico de várias patologias.
Quanto à dor crónica, é persistente e recorrente, mantendo-se mesmo depois de resolvido o problema que lhe deu origem ou existindo sem causa aparente. Esta é uma dor inimiga que não apresenta qualquer vantagem: antes pelo contrário, não só causa enorme sofrimento como tem impacto negativo na saúde física e mental. Fisiologicamente, a permanência da dor pode conduzir a alterações do sistema imunitário, diminuindo as defesas do organismo e, em consequência, tornando-o mais susceptível a infecções. Mental e emocionalmente, a dor crónica provoca frequentemente insónias, ansiedade, depressão.
Viver com a dor durante um longo período de tempo acaba por afectar a pessoa em toda a sua dimensão: limita a capacidade para trabalhar, para se divertir e até para cuidar de si mesma. E quando a dor e a incapacidade parecem desproporcionais face à lesão ou parecem não ter razão de ser é comum que o doente seja afectado nas suas relações familiares e sociais. É como se a dor não existisse a não ser para ele, gerando incompreensão por parte de terceiros e levando-o a fechar-se em si mesmo. Até os prestadores de cuidados de saúde podem desvalorizar as queixas do doente, contribuindo para um problema que já não é apenas do foro médico.
Este ciclo de sofrimento fez mesmo com que a dor crónica deixasse de ser encarada como um simples sintoma, passando a ser tratada como uma doença.
 
Medir e tratar a dor
A dor é, já aqui se disse, uma sensação subjectiva, o que dificulta a sua identificação e, consequentemente, o tratamento. Dificulta mas não impede, na medida em que existem meios complementares de diagnóstico que permitem detectar algumas causas de dor, nomeadamente lesões. Mas nem sempre existe lesão, o que não significa que a dor deva ser menosprezada.
Para a identificar contribuem as escalas de medição da intensidade da dor: são escalas aceites internacionalmente e com as quais os médicos trabalham, mas que carecem da colaboração do doente para serem úteis. A escala que for utilizada numa primeira medição deve manter-se, de modo a que seja possível comparar a evolução da dor num mesmo doente em momentos sucessivos. Desta forma contorna-se alguma da subjectividade que caracteriza a dor e permite-se um direccionamento mais rigoroso do tratamento.
Porque tratar a dor é imprescindível, dadas as suas repercussões físicas e psicológicas. Apesar de o tratamento da dor aguda e da dor crónica se distinguir, é possível definir duas linhas principais: a terapêutica farmacológica, com recurso a medicamentos, e a não farmacológica, que envolve técnicas como a fisioterapia e outras.
No que respeita aos fármacos, os dirigidos ao tratamento da dor designam-se genericamente como analgésicos, estando disponíveis várias classes, nomeadamente os não opióides (como os anti-inflamatórios não esteróides) e os opióides (como a codeína e a morfina). É em função do diagnóstico e, em particular da intensidade e do carácter crónico ou não da dor, que é feita a selecção dos medicamentos.
No caso da dor crónica podem ainda ser utilizados os chamados fármacos adjuvantes, que, não sendo verdadeiramente analgésicos, contribuem para o controlo da dor actuando sobre os factores que a podem potenciar ou agravar: incluem-se nesta categoria os antidepressivos, os ansiolíticos, os anticonvulsivantes, os corticoesteróides, os relaxantes musculares e os anti-histamínicos.
Em determinadas situações de dor pode ser necessário o recurso a métodos mais invasivos, que envolvem a injecção dos medicamentos próximo do local que provoca a dor ou ao longo do trajecto dos nervos que conduzem a sensação dolorosa.
Já o tratamento não farmacológico implica, como o nome indica, outras abordagens que não os medicamentos. A fisioterapia é uma delas, envolvendo o movimento controlado das partes do corpo mais afectadas pela dor, visando restaurar a funcionalidade de articulações e músculos. A estimulação eléctrica cutânea, o relaxamento, as estratégias de redução de stress são também alternativas.
E dadas as implicações da dor na vida dos doentes, o tratamento pode ser complementado com apoio psicológico. A psicoterapia pode revelar-se útil para lidar com o efeito negativo da dor na mobilidade, na comunicação e nos relacionamentos.
 
Três milhões
Cerca de três milhões são os portugueses que sofrem de dor crónica, correspondendo a 30 por cento da população, de acordo com o “Estudo da Prevalência da Dor Crónica na População Portuguesa”, elaborado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e coordenado pelo presidente da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED). Destes portugueses, cerca de 14 por cento que sofrem de dor moderada a grave.
As lombalgias constituem a principal causa de dor crónica, seguidas pelos problemas osteo-articulares, cefaleias, traumatismos e dor pós-cirúrgica.
O cancro corresponde a um por cento da dor crónica. Quanto ao tratamento, 35 por cento dos doentes com dor crónica avaliados considerou que a sua dor não está bem controlada, sendo que a maioria sustentou que os medicamentos não são eficazes ou que os médicos não conferem a devida atenção à dor.
 
Dor desvalorizada?
A dor das mulheres é desvalorizada face à dos homens, sendo considerada menos verdadeira e menos grave pelos profissionais de saúde, sobretudo quando estes são do sexo masculino.
Esta é a conclusão de um estudo do Centro de Investigação e Intervenção Social do ICSTE, realizado em 2007 e envolvendo205 estudantes de enfermagem. A investigação visou perceber quais os factores que influenciam a apreciação da dor dos doentes, nomeadamente a forma como a dor é apresentada e o género de quem a julga.
E concluiu que a dor no doente do sexo feminino é julgada como menos genuína e a sua situação clínica como menos grave e urgente do que a do homem, em contextos de dor aguda e de curta duração ou na ausência de manifestações explícitas de ansiedade. Isto porque se espera que as mulheres sejam mais expressivas, pelo que, quando agem de forma controlada sem recorrer muito aos profissionais de saúde, acabam por ver a sua dor subvalorizada.
As mulheres queixam-se mais de dor ao longo da vida, mas as suas dores são frequentemente desvalorizadas, subdiagnosticadas ou subtratadas.
 
Com a ajuda do doente
Tanto o diagnóstico como o tratamento da dor estão, em boa parte, nas mãos do próprio doente. Desde logo na avaliação da dor: a intervenção médica é muito facilitada se o doente souber localizar a dor, identificar as limitações que ela lhe causa (se afecta a mobilidade ou o sono, por exemplo), caracterizá-la quanto ao tipo e intensidade. A colaboração do doente é igualmente útil ao longo da terapêutica, nomeadamente no seu cumprimento e na avaliação do seu efeito no controlo da dor.
Mas há mais que o doente pode fazer para se ajudar a si próprio. Manter a actividade física e mental é essencial: fazer exercício de forma regular, mas sem exagerar, mantém o corpo em forma e torna-o mais resistente, enquanto ocupar o tempo com actividades que proporcionem prazer contribui para estimular a mente e distrai-la da dor e suas consequências. O mesmo benefício é obtido com o convívio social, sendo importante que o doente se mantenha em contacto com familiares e amigos, com eles desfrutando de bons momentos mas também partilhando os sentimentos negativos que possam surgir.

A dor é uma sensação desagradável, penosa. Qualquer dicionário assim a define, com estas ou outras palavras. Mais ainda se for ignorada e negligenciada. Não há que sentir vergonha de se queixar de dor: ela pode parecer insignificante para os outros, até para alguns profissionais de saúde, mas é tudo menos insignificante para quem dela sofre. Por isso, não sofra em silêncio!

publicado por Flor às 21:17
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comentários:
Eu trabalho com doentes com cancro, normalmente a dor física é tida em conta e não falta fármacos para estes doentes, mas e a dor psicológica, a dor da alma do sentir profundo ....essa é tratada às vezes quando alguém tem tempo para ouvir!
Rosa Maria a 28 de Abril de 2009 às 02:12

A dor psicológica é pior que a dor física.. Porque, a dor física pode passar com medicamentos, anestesias, etc. mas a dor psicológica é mais difícil de ser ultrapassada. Se a pessoa for bastante forte, consegue ultrapassar essa dor mas sempre fica um bocadinho cá dentro que ninguém consegue esquecer. Eu já passei por muito e consegui ultrapassar com toda a força que tenho dentro de mim mas, às vezes, acordamos e sentimo-nos baralhados, confusos com tudo que se passa à nossa volta e com tudo que já passámos. Tenho dias em que sinto que não sou ninguém, não sei o que faço neste mundo e essa é a pior dor que eu não consigo ultrapassar. Gostava que a minha família me ajudasse mas o que mais me tem ajudado é o meu blog e com quem falo aqui, tentar ajudar as outras pessoas, fazer "amizades" se assim o posso chamar, percebe? Eu aconselho os outros a não sofrerem em silêncio mas porquê que eu não faço o mesmo?! Gostava de um dia ter alguém ao meu lado que me conseguisse ouvir, me deixasse desabafar sobre tudo que me faz doer a alma e me conseguisse perceber. Hoje acordei muito em baixo, com vontade de dormir durante algum tempo e quando acordar, tudo tiver passado.
Flor a 28 de Abril de 2009 às 15:24

...pois é como se diz ...." cada um é como cada qual " ou " olha para o que eu digo e não para o que eu faço"

Mas pela minha experiência, compreendi que as soluções estão mesmo dentro de nós. Claro que não evita que não se sofra mesmo tendo conciência do que somos.
O importante é gostar-se daquilo que se faz ....... e chegar à cama e ter um sono reparador, acorda-se muito mais feliz!
Desde muito pequena que deixei de contar com os outros, principalmente família, claro que ter consciência disto levou anos ... custava-me aceitar que aqueles que tinham obrigação de me proteger não o faziam.
Não há nada que o tempo não cure ou que nos mostre uma outra forma de ver a vida!

Felicidades ...gosto muito de aqui vir ...continua!
Jinhos
Rosa Maria a 29 de Abril de 2009 às 22:28

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