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Abr 09

Cansados é como ficam os músculos de quem sofre de miastenia gravis, uma doença que afecta sobretudo as mulheres. Em Portugal, são 400 a 500 os doentes.

 
 
 
À letra, miastenia gravis significa “grave fraqueza muscular” e é isso mesmo que a caracteriza: os músculos voluntários – aqueles que controlamos – ficam facilmente cansados e muito fracos, não se contraindo quando devem e, portanto, dificultando ou inviabilizando os movimentos a eles associados.
Tudo se passa ao nível da comunicação entre os nervos e os músculos. Por razões ainda não claramente identificadas, há interferências nessa comunicação – as mensagens não passam dos nervos para os músculos, pelo que estes não obedecem aos estímulos enviados pelo cérebro.
A fraqueza muscular pode afectar qualquer um dos chamados músculos voluntários, mas é mais comum nalguns grupos. Os primeiros a denunciar a doença são os músculos dos olhos: é que são usados constantemente, daí que se cansem mais facilmente. Daqui resulta desdobramento das imagens (dupla visão) e o descair de uma ou de ambas as pálpebras. Pode acontecer que a doença fique confinada a estes músculos, caso em que se fala de miastenia ocular.
Mas, com frequência, há outros músculos envolvidos, nomeadamente os da cara e garganta. As consequências abrangem a deglutição – comer, beber ou tomar comprimidos são gestos dificultados pela facilidade com que a pessoa se engasga – e a mastigação – os músculos podem ficar cansados a meio da mastigação, sobretudo de alimentos que exigem mais esforço, como a carne.
Também a fala é afectada, com os sons a saírem nasalados. E as expressões faciais também se ressentem – o sorriso pode desaparecer devido à fraqueza dos músculos envolvidos nesse reflexo.
Cansados ficam igualmente os músculos dos membros superiores e inferiores – gestos como pentear-se, barbear-se ou escrever ficam comprometidos, o mesmo podendo acontecer com subir ou descer escadas. Por vezes, o pescoço também se ressente, pendendo para a frente.
A dificuldade de comunicação entre nervos e músculos pode estender-se ao peito, com impacto na capacidade respiratória – uma das consequências mais graves desta doença auto-imune.
 
A influência do timo
A miastenia gravis faz precisamente parte de um grupo de doenças infligidas pelo próprio organismo: é que o sistema imunitário, ao invés de defender o corpo dos agentes agressores, ataca-se a si mesmo. Não se sabe exactamente porquê, ainda que, em relação à miastenia, haja evidência do envolvimento do timo, uma glândula localizada atrás do esterno (o osso do peito) e que parece desencadear a produção dos anticorpos que impedem a contracção dos músculos. Em adultos saudáveis, o timo é pequeno, mas nestes doentes assume uma dimensão excessiva, desenvolvendo-se, por vezes, tumores não cancerígenos. O facto de a remoção desta glândula fazer desaparecer a doença nalgumas pessoas confirma a tese da sua responsabilidade na miastenia.
Os tumores no timo constituem, aliás, uma das complicações da doença, estando presentes em cerca de 15 por cento dos doentes. Mas há outras complicações possíveis e mais severas: é o caso da chamada crise miasténica, uma condição que pode colocar a vida em perigo e que ocorre quando os músculos que controlam a respiração ficam demasiado fracos para cumprir a sua função.
A capacidade respiratória fica comprometida, impondo a entrada no hospital, onde o doente é ventilado artificialmente por algum tempo, até que, por via da administração de medicamentos, os músculos recuperem a força suficiente para a respiração.
Os doentes miasténicos são mais susceptíveis a um conjunto de outras doenças auto-imunes como o lúpus e a artrite reumatóide. São igualmente vulneráveis a disfunções da tiróide, a glândula que regula o metabolismo (a velocidade a que o corpo utiliza a energia).
 
Mulheres “preferidas”
Apesar das complicações, a miastenia é uma doença controlável. O tratamento está disponível sob a forma de medicamentos, sendo os principais os anticolinesterásticos, que potenciam a comunicação neuromuscular. Não eliminam a deficiência que está na base da doença, mas permitem que a maioria dos doentes leve uma vida normalmente activa.
Para os doentes mais graves, pode ser necessário recorrer a tratamento com esteróides, medicamentos particularmente indicados quando são afectadas a deglutição e a respiração. Em complemento, podem ser administrados imunossupressores, que, como o nome indica, actuam sobre o sistema imunitário, interferindo na produção dos anticorpos que bloqueiam a comunicação.
A cirurgia é também uma opção para remoção do timo, a glândula envolvida na miastenia, nomeadamente quando já se desenvolveram tumores. Já nas situações de crise, é usada a plasmaférese, que consiste na substituição do plasma do doente, uma espécie de lavagem do sangue para remoção dos anticorpos nocivos.
O tratamento é, geralmente, eficaz, o que permite aos doentes uma vida razoavelmente activa. Em Portugal, são cerca de 400 a 500, surgindo por ano 30 a 40 novos casos de uma doença que é, maioritariamente, feminina: nas mulheres declara-se, quase sempre, antes dos 40, mas nos homens só depois dos 60. São particularidades de uma patologia que ainda tem muitos contornos desconhecidos.
 
Falhas na comunicação
O que está em causa na miastenia gravis é um corte na comunicação entre os nervos e os músculos, o que os impede de obedecerem às ordens emitidas pelo cérebro.
Compreender os músculos pode ajudar a compreender melhor este mecanismo. Assim, cada músculo é servido por um nervo que se ramifica em nervos mais pequenos que se espalham pelo interior fibroso. Entre cada uma das extremidades nervosas e a superfície muscular há um intervalo: é nele que se processa a comunicação.
Quando o cérebro envia mensagens ao músculo, para que ele se contraia, as extremidades nervosas libertam um químico – trata-se da acetilcolina, um neurotransmissor, que se agarra aos receptores existentes no músculo, fazendo-o contrair-se.
Ora, é este mecanismo que falha numa pessoa com miastenia gravis: a mensagem não passa dos nervos para o músculo porque o sistema imunitário produz anticorpos que bloqueiam ou destroem os receptores de acetilcolina. Como este neurotransmissor não chega ao músculo, este não se contrai ou contrai-se com uma força insuficiente para que o movimento desejado se concretize.
Os músculos mais usados são os mais afectados: daí que a doença comece por manifestar-se nos olhos – as pálpebras sobem a descem repetidamente, embora de uma forma quase automática que passa despercebida.
publicado por Flor às 16:05

comentário:
Eu tenho meastenia que iniciou no ano de 95 fiquei 4 vezes na u.t.i hoje a doença está controlada dependo de medicação de 4 em 4 hora gostei muito do conteudo.
gervani ferreira a 3 de Dezembro de 2010 às 03:09

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