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Abr 09

O perigo de uma intoxicação espreita sempre a produtos tóxicos deixados ao alcance das crianças – medicamentos, detergentes, pesticidas, cosméticos. A curiosidade infantil faz o resto.

 
 
 
Pelo menos 30 crianças intoxicam-se diariamente em Portugal. Muitas mais haverá, mas este é o número de casos médios registado, dia-a-dia, pelo Centro de Informação Anti-Venenos (CIAV). Outros não recorrem a este aconselhamento telefónico, com a situação a resolver-se no local do acidente ou num serviço de saúde.
As estatísticas dão conta de uma elevada prevalência de acidentes com tóxicos nos primeiros quatro anos de vida – 65 por cento dos casos registados pelo CIAV em 2007. Na maioria das vezes, ocorreram em casa e por via digestiva, com os medicamentos no topo dos produtos de risco.
Contudo, estes números poderiam baixar drasticamente com uma maior aposta na prevenção. Cuidados básicos a adoptar por todos, tanto mais que a casa – espaço de conforto por definição – parece ser o local mais perigoso para as crianças no que respeita aos tóxicos.
Assim acontece porque o risco não é devidamente medido. Mas existe sempre que se arrumam os detergentes em armários baixos, sem fechos à prova de criança; sempre que os perfumes e cosméticos são deixados na bancada da casa de banho; sempre que aqueles medicamentos que se tomam todos os dias são mantidos à mão na mesa-de-cabeceira.
O cenário multiplica-se provavelmente na maioria dos lares. Esquecendo que as crianças contornam facilmente a vigilância dos adultos e que, movidas pela curiosidade, num ápice abrem um armário ou uma gaveta, deitando mãos ao produto proibido: cheiram, tocam, provam. Tornando-se potenciais vítimas de intoxicação, com o perigo a ser proporcional ao grau de toxicidade do produto e ao grau de contacto havido.
É quase sempre por via digestiva que a intoxicação acontece: medicamentos, bebidas alcoólicas, produtos de limpeza, perfumes são as fontes mais comuns de danos para a boca, garganta e estômago, provocando, nomeadamente, diarreia e queimaduras.
Entre os detergentes, há uns mais perigosos do que outros: os destinados às máquinas de lavar roupa e louça são mais agressivos do que os para a lavagem manual. Mais perigosos ainda, mas com menos registos de intoxicações, são os desengordurantes e os desentupidores de canos, capazes de causar queimaduras muito graves.
Mais frequentes em regiões rurais do que urbanas, os pesticidas, sobretudo os raticidas, são também responsáveis por acidentes por via digestiva.
O mesmo acontece com perfumes e cosméticos, ainda que com consequências menos nefastas.
A lixívia é um dos produtos mais nocivos, podendo ocorrer intoxicações por via digestiva ou cutânea. Em ambas as situações, o resultado são queimaduras. Também as tintas são uma fonte de risco, sendo potencialmente tóxicas no contacto com a pele.
Duplo risco oferecem também algumas plantas, nomeadamente bagas e cogumelos, com a intoxicação a poder ocorrer por ingestão ou através do toque.
As vias respiratórias são igualmente vítimas dos produtos tóxicos, por aspiração de vapores ou gases – tintas, combustíveis e produtos de limpeza são, aqui, a origem mais frequente dos acidentes.
É ainda possível que a contaminação aconteça através dos olhos, por contacto directo com as substâncias tóxicas ou indirecto, através das mãos. Os sprays representam o maior risco.
 
O que fazer?
Uma intoxicação não passa despercebida, mas os sintomas dependem do produto, do seu grau de toxicidade, da quantidade envolvida e da via de penetração no organismo. Ainda assim costumam ficar vestígios do contacto com a substância perigosa. Modificações na coloração dos lábios, dor, sensação de queimadura (também na garganta e no estômago), lesões na pele, hálito com odor estranho são sinais que se observam de uma forma geral. A eles se juntam, por vezes, sonolência, torpor, confusão mental, dificuldade respiratória, delírios e alucinações.
A observação destes sintomas é fundamental para uma intervenção atempada, que passa pelo contacto com o Centro de Informação Anti-Venenos (808 250 143, acessível 24 horas por dia). Um contacto que deve ocorrer o mais cedo possível, de modo a obter instruções sobre como actuar: é que nem sempre é necessário recorrer a uma unidade de saúde, podendo as situações serem resolvidas no local do acidente desde que adoptando os cuidados adequados. E esses cuidados dependem da via de intoxicação. A maior parte dos acidentes envolve a ingestão, havendo necessidade de evitar a absorção do tóxico. Há que esvaziar o estômago, provocando o vómito. Porém, há situações em que este é um gesto interdito: quando o doente está inconsciente, sonolento ou não consegue engolir, quando ingeriu corrosivos (deve, em vez disso, dar água ou leite), produtos que provocam convulsões ou que fazem espuma. Na ingestão de petróleo e derivados também não se deve induzir o vómito.
Se o produto originar convulsões, importa prevenir o risco de asfixia: o doente deve ser colocado de lado, de modo a evitar a aspiração de vómito espontâneo, e deve abrir-se a boca para verificar se a língua não impede a respiração. Não se deve dar água.
Quando a intoxicação acontece por inalação do tóxico (com gás, por exemplo) há que levar o doente para fora do ambiente contaminado ou, na impossibilidade, arejar o mais possível o espaço. É importante vigiar a função respiratória e conservar o corpo aquecido.
Já a intoxicação por via cutânea implica medidas para evitar que o produto seja absorvido pela pele: há que remover a roupa do doente, colocando-o debaixo de água corrente e, no caso de pesticidas, lavando-o com sabão.
É também com água corrente que os olhos devem ser lavados: um fio de água, durante 15 a 20 minutos, mantendo as pálpebras separadas. Não se deve usar colírio.
Sem uma intervenção atempada, há intoxicações que deixam lesões para toda a vida. E, embora os casos fatais sejam cada vez mais raros, a verdade é que os produtos tóxicos podem matar. Na Europa, dois por cento das mortes até aos 14 anos devem-se a intoxicações.
 
Proteger as crianças
A maioria das intoxicações previne-se, sendo possível proteger as crianças adoptando um conjunto de cuidados básicos mas valiosos. Assim:
·         Guarde todos os produtos químicos (medicamentos, detergentes, cosméticos, bebidas alcoólicas...) fora do alcance das crianças.
·         Não utilize embalagens vazias para guardar outros produtos – pode haver confusão e ingestão acidental.
·         Feche as embalagens e guarde os produtos logo após o uso.
·         Não dê embalagens vazias para as crianças brincarem.
·         Não misture alimentos e bebidas com produtos de uso doméstico.
·         Não tenha plantas tóxicas em casa ou no jardim.
·         Não apanhe nem deixe as crianças apanharem cogumelos nem comerem bagas ou sementes de plantas.
·         Não aplique pesticidas na presença de crianças.
·         Feche as torneiras do gás após uso e mantenha as instalações em boas condições de segurança.
·         Não tome nem dê medicamentos às escuras; não ultrapasse as doses prescritas.
·         Leia as instruções de aplicação dos produtos e cumpra-as.
·         Conheça o significado dos símbolos existentes nos rótulos – distinguem produto explosivo, comburente, inflamável, tóxico, corrosivo, irritante.
 
A educação das crianças é fundamental como prevenção: há que explicar-lhes que os produtos domésticos não são para brincar e que pode ser perigoso mexer-lhes.
publicado por Flor às 15:40

comentário:
Um post muito oporturno e exlícito.
Rosa Maria a 28 de Abril de 2009 às 02:18

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