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Abr 09

Crianças e adultos podem ter dificuldades em controlar a micção. As situações de enurese e de incontinência urinária não são exactamente iguais, mas ambas causam desconforto, embaraço e até sofrimento.



A vergonha está sempre presente, quer se fale de enurese, quer se fale de incontinência. É a vergonha de uma criança que, a meio da noite, anuncia aos pais que fez chichi na cama. Ou a vergonha de um adulto que sente libertarem-se pingos de urina fora de hora e de contexto. Em ambos os casos, a auto-estima está em risco, pelo que ambos devem merecer intervenção.

 

Enurese — noites molhadas

São fenómenos distintos, mas têm em comum a dificuldade em controlar o aparelho urinário. No que respeita às crianças, a enurese ocorre numa idade em que já deviam dominar o processo fisiológico que conduz à micção. Uma idade que pode oscilar, na medida em que cada criança se desenvolve a um ritmo muito próprio, ainda que existam etapas comuns, em que são de esperar determinados progressos.

As diferenças individuais reflectem-se também no controlo da urina. Há crianças que deixam de usar fraldas muito cedo, primeiro de dia, depois de noite, e outras que requerem mais algum tempo, urinando episodicamente nas cuecas ou na cama até, finalmente, se conseguirem controlar.

A maioria atinge esta fase por volta dos cinco anos, idade até à qual não se considera que a dificuldade em controlar a urina constitua um problema. A partir daí, se a criança continua a molhar a cama de noite, considera-se que sofra de enurese nocturna. Com frequência esta é uma situação associada a um evento perturbador, como o nascimento de um irmão, a entrada na escola ou o divórcio dos pais — diz-se, então, que a enurese é secundária e que pode ter também como causa as infecções urinárias, alterações neurológicas e malformações urinárias. Já quando a criança não consegue de todo controlar a micção durante o sono fala-se em enurese primária.

Estima-se que em Portugal haja cerca de 80 mil crianças a braços com este embaraço. Crianças dos cinco aos 14 anos, na sua maioria rapazes. Partilham um problema, mas as causas podem ser diversas, oscilando entre a hereditariedade e disfunções do foro fisiológico ou psicológico. Sabe-se que a herança genética tem influência, considerando-se existir uma probabilidade de 44% de a criança ser enurética se um dos pais o tiver sido, taxa que aumenta para 77% quando envolve ambos os progenitores.

O maior peso é, no entanto, fisiológico, na medida em que foi identificada nos enuréticos uma deficiência na produção nocturna da hormona vasopressina, com efeitos antidiuréticos. Esta hormona regula a produção de urina durante as 24 horas do dia, estando presente em maior quantidade durante a noite, de forma a reduzir o volume de urina. Não é isso que acontece, porém, no caso das crianças enuréticas.

Apesar de involuntária, a emissão de urina durante o sono causa muito sofrimento nestas crianças, com a ansiedade a prevalecer, num misto de sentimentos que abrangem a vergonha e a culpa. Elas não conseguem, de facto, controlar a urina. Sentem vergonha, sentem-se humilhadas e tentam esconder o problema. Daí que resistam a tudo o que implique passar uma noite fora de casa, o que claramente afecta a sua vida social.

Receiam — e é normal — que as outras crianças se apercebam, o que as tornaria alvo de risos e provocações. Receiam também os olhares e comentários dos adultos — e a verdade é que eles acontecem, ameaçando a estabilidade emocional destas crianças.

Este é, no entanto, um problema com solução: com a ajuda do médico de família ou do pediatra, importa identificar causas e tratá-las. Existem terapias e medicamentos eficazes no tratamento da enurese. Mas o caminho não passa apenas por aqui: implica atenuar o sofrimento e reforçar a auto-estima infantil.

 

Nem crime nem castigo

A criança não tem culpa por libertar urina durante o sono. Não o faz de propósito, nem por preguiça, pelo que não deve ser punida. Deve, sim, ser tranquilizada e ajudada pelos pais, os quais devem:

·         Explicar o que se passa

·         Manifestar compreensão

·         Enfatizar que ninguém tem culpa

·         Partilhar a sua experiência se sofreram de enurese quando eram crianças

·         Limpar a cama rapidamente e sem confusão, encorajando a criança a mudar de pijama e a ajudar a fazer a cama

·         Ensinar a ir à casa de banho antes de dormir

·         Estimular a cortar nas bebidas com cafeína e hidratos de carbono (como a cola) e nos chocolates

·         Reduzir a quantidade de líquidos ingeridos durante a noite — uma bebida ao jantar e mais nada depois

·         Procurar conselho médico.

 

Pingos que envergonham

Tal como a enurese, também a incontinência urinária envergonha. De tal forma que a maioria das pessoas a esconde, relutando em levá-la a uma consulta médica e, com isso, adiando um tratamento e prolongando o sofrimento.

Este é um problema muito vulgar, que se pode manifestar em qualquer momento da idade adulta, embora seja mais frequente entre os idosos. A continência urinária depende de uma integridade anatómica e fisiológica, assim como a existência de um estado mental normal, mobilidade, destreza e motivação. Por detrás, esconde-se uma multiplicidade de causas, em que pontuam as doenças urológicas, ginecológicas, neurológicas, psicológicas, hormonais, ambientais ou iatrogénicas, bem como alterações degenerativas associadas ao envelhecimento e deficiências congénitas. Comum é que resulte de lesão na região pélvica ou na espinha dorsal, podendo também ser consequência de uma cirurgia pélvica. Mais comum ainda é que ocorra em resultado de uma gravidez e parto, sobretudo se for por cesariana. Definida, de uma forma simples, como a dificuldade em controlar a urina, a incontinência é um problema do sistema urinário relacionado com a uretra, o canal por onde sai a urina e cuja actividade é controlada por um músculo, o esfíncter. No entanto, ao contrário do que se pensa, não é uma doença, mas sim um sintoma: a urina escapa-se porque existe uma patologia que interfere com a capacidade do esfíncter para controlar as expulsões urinárias.

E porque as causas são muitas também são diversos os tipos de incontinência. Um deles está associado ao stress: a bexiga descarrega durante a prática de exercício físico, em consequência de um acesso de tosse, de uma gargalhada ou de qualquer movimento corporal que exerça pressão sobre os músculos pélvicos. E as tão indesejadas gotas lá se escapam. Em momentos de convívio social este tipo de incontinência pode ser bastante incomodativo: é que basta uma gargalhada saída lá do fundo para desencadear o embaraço.

Um outro tipo é a chamada incontinência de transbordo ou de urgência (conhecida também por instabilidade vesical ou do músculo detrusor e por bexiga hiperactiva). Corresponde a uma necessidade urgente de ir à casa de banho e à incapacidade para lá se chegar a tempo. As causas não são claramente conhecidas, mas pode estar em causa uma situação em que as ligações nervosas entre a bexiga e o cérebro se encontram danificadas, provocando uma súbita contracção da bexiga que não pode ser evitada. E a urina sai prematuramente.

incontinência mista quando há associação entre os diferentes tipos de incontinência. Uma terceira forma é conhecida como incontinência reflexa. Neste caso, a perda de urina acontece sem que a pessoa tenha consciência da necessidade de urinar. É com frequência o resultado de uma abertura anormal da bexiga ou de “furos” fístulas — neste que é o nosso reservatório de urina ou na uretra.

Finalmente, considera-se a incontinência que decorre de uma intervenção cirúrgica, por exemplo de uma histerectomia ou de uma cesariana.

É, naturalmente, em função da causa que se define o tratamento, de um leque de opções que envolve técnicas cirúrgicas e não cirúrgicas.

Por vezes, uma simples mudança dos hábitos alimentares é suficiente, de modo a cortar nos produtos com efeito diuréticos (os que estimulam a produção de urina). Pode também ser necessário prescrever medicamentos próprios ou retirar alguns. E em último caso pode recorrer-se à cirurgia, nomeadamente para implantar um aparelho que ajudará a controlar os músculos pélvicos. O que é certo é que o tratamento é eficaz na grande maioria dos casos: 80 em cada 100 doentes deixam de ter razões para sentir vergonha.

 

Sinais de alarme

A perda de urina é sempre precedida de alguns sinais de alarme, que devem ser tidos em conta e que importa conhecer:

·         Urinar mais frequentemente do que o habitual, sem que exista uma infecção na bexiga.

·         Necessidade de correr para a casa de banho, perdendo urina quando não se chega a tempo.

·         Dores relacionadas com o acto de urinar.

·         Infecções frequentes da bexiga.

·         Enfraquecimento progressivo do jacto urinário, com ou sem a sensação de esvaziamento total da bexiga.

·         Urina em quantidade anormal ou alterações relacionadas com o sistema nervoso.

 

publicado por Flor às 17:56

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