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Abr 09

São assim as cores aos olhos de um daltónico: baralhadas. É quase sempre entre o verde e o vermelho que se dá a confusão, dificultando tarefas básicas do dia-a-dia: combinar peças de vestuário pode não ser fácil, mas pior é atravessar uma passadeira ou conduzir...

 
 
 
Um olho saudável é capaz de distinguir 15 mil tonalidades, com a visão colorida a assentar na percepção de três cores fundamentais — o azul, o verde e o vermelho. Mas há pessoas cuja visão colorida sofreu uma modificação, pelo que apenas distinguem duas dessas cores. São pessoas daltónicas. O mais frequente é que não diferenciem o verde do vermelho, reconhecendo somente o amarelo e o azul-violeta. Mas também acontece que confundam o azul e o amarelo, embora esta forma de daltonismo seja mais invulgar. Mais rara ainda é a incapacidade de distinguir qualquer das cores — a pessoa vive num mundo a preto e branco, pontuado por graduações de cinzento. É ao nível da retina que radica a explicação para esta perturbação da visão. Nesta membrana que cobre a face interna do olho localizam-se as células fotoreceptoras, os chamados cones, que nos permitem perceber as cores. São três os tipos de cones, tantos quanto as cores fundamentais: os vermelhos, os verdes e os azuis, cada um deles sensível a um pigmento específico. O que acontece é que, numa pessoa daltónica, há cones que funcionam mal ou simplesmente não existem, pelo que o cérebro não recebe a informação que lhes permite descodificar a respectiva cor. Normalmente, apenas um tipo deles está ausente — quase sempre o vermelho, mais raramente o azul ou o verde. Excepcionalmente, podem faltar dois tipos, falando-se então em monocromatismo. Mais raramente ainda, acontece faltarem os três tipos — estamos perante um quadro de acromatismo, em que a pessoa está privada de cor.
As “culpas” por esta anomalia devem ser apontadas à hereditariedade. E ao cromossoma sexual X. Nas mulheres, que possuem dois destes cromossomas, a presença de um gene anormal é, quase sempre, compensada por um gene normal existente no segundo cromossoma. O que significa que a mulher pode ser portadora do gene do daltonismo e passá-lo aos seus filhos, sem, contudo, ser afectada. Para ela própria ser daltónica era preciso ter recebido dois cromossomas alterados, um da mãe e outro do pai, o que é raro.
nos homens, que possuem um cromossoma X e outro Y, não é possível compensar o gene anormal transmitido hereditariamente. Daí que o daltonismo predomine no sexo masculino (calcula-se que afecte 8% dos homens, contra 0,45% das mulheres). Porém, não passam o gene para os filhos, apenas para as filhas, precisamente através do cromossoma X.
 
Viver o daltonismo
Se pelo menos uma das cores principais lhes está vedada, ou se a apercebem com grande dificuldade, como vêem os daltónicos? Desenvolvem o seu próprio sistema de referência, substituindo as tonalidades ausentes por diferentes tons de cinzento. E aprendem a conviver com esta diferença cromática, que não lhes afecta a saúde mas condiciona o dia-a-dia. Conduzir, por exemplo, não será tarefa fácil. Pelo menos à primeira vista: se uma pessoa não distingue o vermelho, ou se não distingue o verde, como saberá se deve parar ou avançar num semáforo? Na verdade, pode recorrer ao seu próprio esquema cromático, em que a cor em falta se apresenta disfarçada de cinzento. Porém, para desenvolver uma actividade profissional relacionada com os meios de transporte, ou com as forças de segurança, este recurso pode ser insuficiente — ser piloto de avião, maquinista de comboio ou agente da polícia e não conseguir distinguir claramente todas as cores é uma combinação inviável.
Aliás, aqui radica uma das razões para se fazer o despiste precoce do daltonismo: acontece que, ignorando ser portadores desta anomalia da visão, os jovens percorrem um determinado caminho escolar, com destino a uma profissão que correm o risco de não exercer. Mas o daltonismo pode ser despistado na idade escolar, aquando da primeira visita ao oftalmologista, normalmente por volta dos seis anos, embora se possa efectuar um despiste rudimentar com testes de cores, como nas duas figuras presentes. Mas só pelos dez anos é possível realizar testes que permitem detectar com acuidade o défice cromático da criança. E, uma vez identificada a anomalia, não há necessidade de qualquer vigilância particular, até porque não interfere nas outras funções da visão. E porque, por enquanto, não existe qualquer tratamento que permita restabelecer a percepção normal das cores.
 
Sinais precoces
alguns sinais que denunciam o daltonismo numa criança. Cabe aos pais estarem atentos: porque o mais provável é o filho errar na atribuição das cores, nomeadamente quando desenha ou quando se veste. Normalmente, o verde torna-se cinzento e o vermelho mascara-se de verde.
Na escola nem sempre é fácil a vida de um pequeno daltónico. Quando a actividade que lhe é proposta implica escolher cores, ele sente certamente dificuldade e baralha-se. Nos cadernos e lápis é sempre possível colar etiquetas, para que ele não se engane. Mas nas aulas de geografia, de química ou de expressão artística poderá ser mais difícil, pelo que os professores devem ser alertados.

Também na rua, a confusão entre cores pode dar origem a incidentes, nomeadamente a atravessar uma passadeira: como uma criança daltónica não distingue o vermelho do verde, convém fazê-la memorizar a posição das cores no semáforo ou identificar a figura luminosa e guiar-se pelos respectivos movimentos.

publicado por Flor às 13:39

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