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Mar 09

É quase inevitável: a falta de apetite dos filhos alimenta a ansiedade dos pais. Mas, o que eles (não) comem, nem sempre é sinónimo de um problema, existindo estratégias para lhes abrir o apetite.

 

Histórias de crianças que não têm apetite enchem o quotidiano, cruzando-se nas conversas de mães que desesperam à vista de um filho que se recusa a comer, obrigando a mil e uma manobras de diversão para ingerir uma refeição. São histórias que falam da recusa em comer a sopa, o peixe ou os legumes, mas também alimentos que normalmente são mais apelativos para as crianças. Falam de colheradas empurradas à custa de muita paciência, de refeições que se arrastam como se de uma batalha se tratasse.
A verdade é que a alimentação é uma das principais fontes de ansiedade dos pais. Independentemente da idade dos filhos, o que eles comem ou não é sempre gerador de alguma preocupação. De tal forma que, a determinada altura, os próprios filhos usam essa “arma” contra os pais.
Importa, no entanto, saber que aquilo que os pais consideram falta de apetite – e que tem, geralmente, a ver com a quantidade ingerida – pode ser normal à luz do desenvolvimento da criança. Desde logo, porque a criança não precisa sempre da mesma quantidade de nutrientes. E depois, porque, com a idade, se vai tornando mais selectiva face ao que come, manifestando preferências. Além disso – e não é menos importante – é influenciada pelos hábitos familiares à mesa.
Durante o primeiro ano de vida, o crescimento da criança processa-se com muita rapidez – cerca de 25 centímetros em altura –, mas a partir do segundo ano esse ritmo desacelera, até que entre os três e os seis apenas cresce, em média, cinco a sete centímetros por ano. Ora, a diferentes velocidades de crescimento correspondem diferentes necessidades nutricionais e energéticas, o que se reflecte no apetite.
Pelo segundo ano de vida, outro obstáculo se impõe entre a criança e as refeições: nessa idade, já se movimenta facilmente pela casa, facto que lhe estimula a curiosidade e torna mais árdua a tarefa de a manter sentada à mesa, em frente a um prato de comida.
Além disso, à medida que cresce, a criança torna-se mais autónoma, o que, em termos alimentares, significa que vai sendo mais selectiva, começa a fazer escolhas, nem sempre as mais saudáveis. Até porque, quando chega a idade escolar, tem à sua disposição uma variedade de guloseimas que perturbam o apetite à hora das refeições. E antes disso há o apelo dos brindes oferecidos em troca de um pão, de chocolate ou batatas fritas.
Mais tarde, e sobretudo sobre o sexo feminino, é exercida uma certa pressão social que induz as adolescentes na crença de que magreza é sinónimo de beleza e sucesso. Dominadas por um receio intenso de ficarem gordas, vão-se privando de alimentos – ficam pele e osso e, mesmo assim, não gostam do que vêem ao espelho. É a conhecida anorexia nervosa, um distúrbio do comportamento alimentar que ameaça seriamente a saúde de muitas jovens.
É claro que, do ponto de vista clínico, há justificações para a perda pontual de apetite. Mas muitas vezes o problema é educacional. E pode mesmo decorrer de um certo sentimento de culpa das mães – tradicionalmente responsáveis pela alimentação da família, mas que, hoje em dia, trabalham fora de casa, investem na carreira profissional com a consequente falta de tempo para estar em casa, fazer compras ou refeições. O resultado pode ser a tentação de compensar os filhos, oferecendo-lhes ou, pelo menos, permitindo-lhes o acesso a todos aqueles alimentos considerados pouco saudáveis.
 
Limites e exemplos
A falta de limites é um risco, em muitas áreas da educação de um filho, mas também no que toca à alimentação. Os primeiros cuidados impõem-se logo no primeiro ano de vida, com a introdução de novos ingredientes na dieta infantil, que até aos quatro meses se faz exclusivamente de leite, materno ou não. É então importante oferecer à criança variedade – no sabor e na textura dos alimentos, para que ela vá provando de tudo um pouco e para evitar que crie aversão a alguns deles. É claro que haverá sempre um ou outro que ela rejeita e, nesse caso, convém não a forçar, substituindo esse alimento por outro do mesmo grupo nutricional.
Há que respeitar o gosto da criança, mas também não se pode facilitar.
A criança precisa de aprender a conhecer os novos sabores para poder aceitá-los, um conhecimento só possível quando o alimento lhe é oferecido várias vezes. Há mesmo estudos que indicam que são precisas dez tentativas para a aceitação do alimento. Por isso, nada de eliminar um determinado alimento da dieta infantil só porque a criança torce o nariz da primeira vez que o prova. Há que insistir e só depois, face a uma recusa sistemática, escolher uma alternativa.
Neste processo educativo, é fundamental que pais e filhos partilhem a refeição. Não apenas no sentido de se juntarem à mesa para o almoço e o jantar, mas também no sentido de que todos adultos e crianças – devem comer o mesmo prato, os mesmos alimentos. Se os pais não comem legumes, como convencerão a criança de que são saborosos? Há que dar o exemplo, mesmo que às vezes isso implique alguns amargos de boca... Além de que os miúdos não perdoam – e, mais cedo ou mais tarde, serão eles a chamar a atenção para a incongruência dos pais, deixando-os a braços com uma explicação nem sempre fácil de dar.
Outra regra de ouro é não substituir a refeição quando a criança diz que não gosta e se recusa a comer. É uma tentação correr para a cozinha a preparar-lhe o seu petisco preferido, mas o preço a pagar pode ser elevado: é que ela vai perceber que, recusando-se a comer, lhe farão a vontade e vai usar esse trunfo sempre que o almoço não lhe agradar. É uma espécie de chantagem, em que as crianças são peritas, uma armadilha em que os pais caem facilmente.
E nisto de chantagens, também os pais caem em tentação: o exemplo mais comum é o de oferecer um pequeno prazer ou recompensa, um doce nomeadamente, em troca de comer a sopa toda. É dar à criança mais uma arma para obter benefícios dos pais. Rapidamente, ela aprenderá a usar a alimentação para chamar a atenção. E provavelmente vencerá, porque filho que não come é uma dor de cabeça para os pais. Mesmo que custe, o mais correcto é retirar o prato da mesa: não come o que lhe foi proposto, não come mais nada. Até que a fome apertará...
É claro que, embora seja importante definir limites, as refeições não devem transformar-se num cenário de conflito. Há formas de as tornar agradáveis e de dar a volta à recusa infantil, investindo, por exemplo, na aparência dos pratos – optando por alimentos de cores diferentes, dispondo-os de uma maneira alegre; ficam mais apetecíveis. Não se trata de mascar os alimentos, apenas de enfeitar um pouco o prato. Quando já são mais crescidinhos, deixá-los participar na confecção das refeições também estimula o seu interesse pela alimentação: se cortaram a cenoura para a sopa, certamente a comerão com mais prazer...
Em regra, os pais preocupam-se demasiado com a alimentação dos filhos. Esta é, aliás, uma questão recorrente em consultas médicas, com os pais ansiosos com a possibilidade de os filhos não estarem a comer o suficiente e, em consequência, não se estarem a desenvolver harmoniosamente. Preocupam-se, por assim dizer, por uma boa causa e, muitas vezes, com razão, a justificar, por exemplo, a toma de um suplemento de minerais e vitaminas que estimula o apetite. Todavia, esta é uma decisão que carece de aconselhamento de um profissional de saúde, pois os suplementos, apesar de benéficos, não são inócuos e não devem ser tomados, e muito menos dados às crianças, por iniciativa própria.
publicado por Flor às 19:24

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