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22
Mar 09

Há muito que a sida ultrapassou barreiras. Já não é uma doença de homossexuais nem de toxicodependentes: é uma doença que pode ser de qualquer pessoa. E está na mão de todos limitar esta epidemia: prevenir é possível, com comportamentos seguros e realizando o teste que tira todas as dúvidas.

 
Os números são Coordenação Nacional para o VIH/Sida: até 31 de Dezembro de 2007 estavam notificados em Portugal 32.491 casos de infecção, nos seus diferentes estágios.
O maior número corresponde a infecção em consumidores de drogas injectáveis, com 43,9 por cento das notificações. Esta percentagem confirma a tendência inicial da epidemia no nosso país, mas o mesmo não acontece com o segundo maior grupo de casos – os de infecção por via heterossexual, representante de 38,8 por cento do total e com tendência para crescer. Quanto à transmissão por via homossexual, diz respeito a 12 por cento dos registos, havendo ainda 5,3 por cento relativos a outras fontes de contágio.
A esmagadora maioria dos infectados pertence ao sexo masculino – 82 por cento do total. E, por idades, o maior impacto – 84,2 por cento – verifica-se entre os 20 e os 49 anos.
São números que se actualizam todos os anos, nomeadamente por ocasião do Dia Mundial da Sida, que se assinalou no primeiro dia deste mês de Dezembro. Uma oportunidade para traçar, em perguntas e respostas, o quadro desta infecção que foi considerada a epidemia do século XX mas que perdura pelo XXI.
 
O que é a sida?
O termo “sida” faz parte do vocabulário quotidiano, sendo usado com valor próprio e, como tal, reconhecido nos dicionários de língua portuguesa. No entanto, originalmente, corresponde a uma sigla formada pelas primeiras letras da expressão “Síndrome da ImunoDeficiência Adquirida”: Síndrome consiste num grupo de sintomas que, colectivamente, caracterizam uma doença; ImunoDeficiência significa que a doença se caracteriza pelo enfraquecimento do sistema imunitário (defesas do organismo); Adquirida quer dizer que a doença não é hereditária, mas sim que se desenvolve após o nascimento por contacto com o agente infeccioso.
A sida é uma doença infecciosa grave e potencialmente fatal causada pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH ou HIV, na língua inglesa). Foram identificadas duas estirpes deste vírus – o VIH1 e o VIH2.
 
Como se transmite o vírus causador da sida?
O VIH transmite-se de três formas: através do sangue, das secreções sexuais e de mãe infectada para filho (a chamada transmissão vertical).
A transmissão por via sanguínea implica, naturalmente, que haja contacto com sangue (ou produtos seus derivados) infectado e que ele penetre na corrente sanguínea da pessoa saudável. Assim, a principal fonte de infecção é a partilha de seringas e outros objectos entre consumidores de drogas injectáveis.
Existe igualmente risco, ainda que menor, na partilha de lâminas de barbear, instrumentos de furar orelhas e de tatuagens, de piercings e de alguns utensílios de manicura (os cortantes). Preferencialmente, devem ser de uso individual ou descartável. Caso não seja possível, todos estes objectos devem ser rigorosamente esterilizados.
A transmissão do vírus através de uma transfusão sanguínea não constitui actualmente um problema, na medida em que tanto o sangue como os seus componentes são testados previamente. Também a doação de sangue é segura, dado que o material utilizado na colheita é descartável e esterilizado.
A sida é considerada uma doença sexualmente transmissível pois as secreções sexuais — esperma e fluidos vaginais — constituem uma das principais fontes de contágio do VIH. O risco existe sempre que haja uma relação sexual sem protecção, seja ela vaginal, oral ou anal. Protecção é sinónimo de preservativo no que se trata a sexo, indispensável em qualquer relação sexual, por mais saudável que a pessoa aparente ser.
Relações sexuais com parceiros ocasionais ou múltiplos parceiros, independentemente de se tratar de um relacionamento hetero ou homossexual, aumentam o risco. Basta um contacto sexual não protegido com uma pessoa infectada para o vírus se poder transmitir. Quanto à chamada transmissão vertical, de mãe para filho pode acontecer durante a gravidez, quando o sangue materno circula no feto através da placenta, ou durante o parto, através do contacto com o sangue ou as secreções vaginais. Mais raro mas possível é o contágio durante a amamentação.
 
Como actua o VIH?
O VIH actua sobre as células do sistema imunitário, atacando preferencialmente os linfócitos T4, um tipo de glóbulos brancos do sangue responsáveis pela defesa do organismo contra infecções e tumores.
Uma vez no organismo, o vírus integra-se no código genético das células infectadas, utilizando-as para se reproduzir. Em consequência, as células perdem eficácia e, com o tempo, a capacidade do organismo para combater a doença vai sendo enfraquecida.
 
Qual a diferença entre ser seropositivo e ter sida?
O VIH tem capacidade para permanecer “invisível” no corpo humano, podendo haver infecção sem sintomas. O que acontece é que, na presença do vírus, o sistema imunitário produz anticorpos, detectáveis no sangue através de uma análise específica. Quando eles são identificados, diz-se que a pessoa é seropositiva.
Um seropositivo pode ter uma aparência saudável anos após o contágio, sem sinais da doença. No entanto, está infectado e pode transmitir o vírus. A sida é a fase última desta infecção, correspondendo a uma degradação progressiva do sistema imunitário e à diminuição das defesas contra outras doenças – são as chamadas doenças oportunistas e, com frequência, é quando elas surgem que a sida é detectada.
Entre a entrada do vírus no organismo e o diagnóstico de sida podem mediar vários anos, em média oito a dez. Este período de evolução silenciosa depende de múltiplos factores, entre eles a intensidade e gravidade da infecção, a resistência do sistema imunitário, a ocorrência de outras doenças que possam contribuir para minar as defesas do organismo e o risco de reinfecção em contactos posteriores.
 
Como se trata a sida?
Não existe ainda um modo eficaz de eliminar totalmente o VIH do organismo. Existem, contudo, tratamentos que reduzem a carga viral e atrasam os danos que o vírus causa no sistema imunitário.
Esses tratamentos são compostos, normalmente, por uma combinação de medicamentos que, se tomados de acordo com a orientação médica, fazem baixar a quantidade de vírus no sangue até um nível em que se torna quase indetectável. Isto não significa que o vírus seja erradicado: ele permanece no organismo, mantendo-se o risco de contágio.
Existem três tipos de medicamentos anti-retrovirais, que actuam de formas diferentes e em fases distintas do ciclo de reprodução do VIH e que são administrados de acordo com esquemas terapêuticos individualizados.
 
Como se previne?
Na ausência de uma vacina, a melhor prevenção passa por evitar comportamentos de risco, nomeadamente os associados às principais fontes de transmissão do vírus: as secreções sexuais e o sangue.
A principal arma contra o VIH é a prática de sexo seguro, o mesmo é dizer com preservativo. Fundamental é também não partilhar agulhas, seringas e outro material usado no consumo de drogas injectáveis, bem como outros objectos cortantes.
 
Porquê fazer o teste do VIH /sida?
O teste permite detectar a presença de anticorpos contra o VIH no sangue: um resultado positivo significa que esses anticorpos estão presentes e que, portanto, a pessoa está infectada; já um resultado negativo corresponde à ausência de infecção.
A realização do teste é sempre fulcral, mesmo que o resultado seja positivo: é que, quanto mais cedo ocorrer o diagnóstico, mais cedo se inicia o tratamento e maiores são as hipóteses de retardar a evolução da doença. Por outro lado, o conhecimento da infecção faz com que a pessoa se proteja a si própria (pois existe a possibilidade de reinfecção) e aos outros. E, em caso de gravidez, é possível actuar de modo a minimizar o risco de transmissão de mãe para filho.
 
Quem deve fazer o teste?
A realização do teste é proposta nas consultas médicas regulares, no âmbito das análises de rotina. É, no entanto, voluntária. A sua realização enquadra-se numa atitude preventiva, de vigilância do estado geral de saúde.
O teste faz ainda parte da bateria de exames pré-natais.
Além disso, é importante fazê-lo sempre que haja dúvidas sobre a possibilidade de estar infectado, nomeadamente se houve relações sexuais desprotegidas, partilha de seringas agulhas ou outro material de risco, e contacto directo com o sangue de outra pessoa.
O teste pode ser pedido ao médico de família ou outro da preferência pessoal, bem como nos CAD - Centros de Aconselhamento e Detecção Precoce do VIH, de uma forma anónima, confidencial e gratuita.

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