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Jun 09

É uma doença parasitária fatal para o cão, que também pode infectar o Homem. A inexistência de vacina e a adversidade do tratamento fazem da prevenção a melhor arma contra esta doença.

 
 
 
A leishmaniose (ou leishmaníase) é considerada uma doença própria de regiões tropicais e temperadas, ocorrendo em África, América Central e do Sul, Ásia Central, Médio Oriente e sul da Europa. Em Portugal, registou-se, nos últimos anos, um aumento do número de cães infectados (na região de Lisboa, estima-se que um em cada seis cães tenha leishmaniose). “A época de maior risco de infecção coincide com os meses mais quentes do ano, visto o insecto transmissor só ter actividade nesse período”, explica Lenea Campino, directora da Unidade de Leishmanioses do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT).
A transmissão desta doença ao Homem, embora pouco frequente, afecta sobretudo pessoas debilitadas. Segundo dados da Direcção Geral de Saúde, de 2000 ao final de 2006, foram notificados 73 casos de leishmaniose humana.
 
O que é a leishmaniose?
Trata-se de uma doença parasitária grave causada por um parasita microscópico denominado Leishmania, que é transmitido ao cão pela picada de um flebótomo (insecto semelhante ao mosquito, mas muito mais pequeno). Para além do cão, outros mamíferos, incluindo animais selvagens e, menos frequentemente o Homem, podem também ser infectados.
 
Como se manifesta?
No cão, esta doença tem um percurso crónico e debilitante. O primeiro sinal clínico mais comum é a perda de pêlo e a seborreia (caspa), sobretudo em redor dos olhos, nariz, boca e orelhas. À medida que a doença progride, o cão perde peso, desenvolve feridas persistentes na pele, principalmente nas áreas que contactam com o chão quando está sentado ou deitado, e nota-se um crescimento exagerado das unhas. Numa fase mais avançada, começam a observar-se sinais relacionados com problemas renais e hepáticos. Se a doença não for tratada e vigiada, leva à morte do animal.
 
Como tratar?
A leishmaniose canina não tem cura definitiva, mas pode ser minorada se a doença não tiver atingido um elevado grau de desenvolvimento. Geralmente, o tratamento consegue a remissão dos sinais clínicos, no entanto, o animal continua portador do parasita, podendo vir a ter recaídas passados meses ou anos. O tratamento será tanto mais fácil e de menor duração quanto mais cedo for diagnosticada a doença e iniciada a terapêutica. O diagnóstico precoce é, por isso, de extrema importância.
 
Como prevenir?
Como ainda não existe vacina contra a leishmaniose canina, a melhor forma de prevenção é através da utilização de produtos com efeito repelente sobre o insecto transmissor. A Organização Mundial de Saúde recomenda o uso de coleiras impregnadas de deltametrina, que demonstraram prevenir 95% das picadas dos flebótomos durante mais de seis meses. Para além disso, é recomendável evitar passear perto de zonas sujas ou com matéria orgânica em decomposição, locais propícios ao desenvolvimento dos flebótomos.
 
Qual o risco do meu cão apanhar leishmaniose?
Se não receber qualquer protecção, o risco pode ultrapassar os 20%. O risco é maior se o cão permanecer em regiões onde a prevalência da infecção é elevada e/ou se permanecer fora de casa ao entardecer e à noite, período de maior actividade dos flebótomos.
 
O que devo fazer se suspeitar que o meu cão tem leishmaniose?
Deve levá-lo a um centro de atendimento veterinário o mais cedo possível. Aí será devidamente examinado, através da realização de um exame clínico específico, para fazer o despiste da doença. Este despiste deverá ser feito, independente da suspeita de doença, uma vez por ano, fora da época de transmissão.
 
Qual a probabilidade de uma pessoa ser infectada?
Embora a leishmaniose afecte sobretudo cães, também pode transmitir-se ao Homem. Contudo, a probabilidade de uma pessoa saudável vir a desenvolver sinais de leishmaniose é muito reduzida. No Homem, a resposta imunitária contra o parasita Leishmania é muito mais eficaz do que no cão, sendo capaz de impedir a expressão da doença, na grande maioria dos casos. E mesmo no caso de desenvolvimento de sintomas, o tratamento, numa pessoa sem qualquer outro comprometimento, é eficaz. Os indivíduos que correm maior risco são as crianças, os idosos e as pessoas debilitadas, com menos defesas imunitárias. “A forma de transmissão mais comum ao Homem é através da picada de um flebótomo infectado, não havendo risco de transmissão por contacto directo Homem-cão”, esclarece Lenea Campino.
publicado por Flor às 18:15

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