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Mai 09

A cada notícia de uma escola encerrada, o país assusta-se. Mas é preciso saber que há formas de meningite mais graves do que outras e que algumas já se previnem com vacinas.

 
 
 
De vez em quando a meningite é notícia. Geralmente no Inverno, por via da suspeita ou confirmação de um ou mais casos numa qualquer escola do país. São notícias que geram algum alarmismo entre pais e educadores, receosos de um surto infeccioso, temendo a gravidade de uma doença que, em algumas das suas formas, se sabe fatal. Existe, de facto, o risco de contágio, na medida em que, muitas das vezes, a meningite é uma doença infecciosa causada por agentes que facilmente se espalham.
Trata-se de uma inflamação das membranas (meninges) e do fluído que rodeiam o cérebro e a espinal medula, geralmente causada por bactérias ou vírus, mas podendo também ter origem em fungos e em outros parasitas.
A maioria dessas bactérias e desses vírus são comuns, atingindo as meninges a partir de outra região do organismo já infectada. A infecção pode começar em qualquer parte, na pele, no sistema gastrointestinal, no tracto urinário, se bem que a sua origem mais frequente sejam as vias respiratórias.
Daí os microorganismos que vão inflamar as meninges entram na corrente sanguínea, viajando pelo corpo até alcançarem o sistema nervoso central.
Nalguns casos, de meningite bacteriana, as bactérias percorrem um caminho muito curto, com partida numa infecção muito próxima — uma otite ou sinusite.
 
Vírus e bactérias
A gravidade da infecção depende do agente causador: os vírus são responsáveis pela maior parte dos casos de meningite, mas são as bactérias as grandes razões de preocupação pois são elas que estão na origem dos casos mais severos, daqueles que exigem uma intervenção urgente. Aliás, a meningite bacteriana pode mesmo pôr a vida em risco. Algumas das complicações envolvem problemas neurológicos, como perda auditiva e visual, convulsões e dificuldades de aprendizagem.
A meningite bacteriana pode ocorrer em pessoas de qualquer idade, mas é mais frequente nos bebés, nas crianças e nos idosos, com os adolescentes e jovens a correrem também algum risco pelo facto de partilharem espaços, passando muito tempo em contacto uns com os outros.
Quanto à meningite viral, é mais comum e, normalmente, menos grave, com alguns dos seus sintomas a confundirem-se com os de outras infecções virais, nomeadamente a gripe. Na maioria das vezes, supera-se sem complicações. Pode manifestar-se em pessoas de todas as idades, mas a sua incidência é maior entre as crianças. Enquanto a bacteriana surge mais nos meses de Inverno, a viral é mais frequente no Verão e no Outono, alturas do ano em que há maior exposição aos agentes virais comuns.
Não há forma de saber qual o tipo de meningite sem intervenção médica, pelo que é fundamental agir perante um determinado conjunto de sintomas que incluem febre elevada, dores de cabeça intensas, vómitos ou náuseas, rigidez no pescoço, confusão mental, convulsões, sensibilidade à luz, perda de apetite.
Os bebés e as crianças mais pequenas podem apresentar algumas particularidades e, em vez dos sintomas mais clássicos, podem manifestar uma irritabilidade invulgar, estar constantemente com sono ou chorar em permanência. Além disso, as fontanelas — zonas mais macias do crânio, tornam-se salientes.
Os sintomas dependem da idade do doente e da causa da infecção, com os sinais de uma meningite viral a serem, geralmente, menos intensos do que os de uma meningite bacteriana. Todavia, nas primeiras fases da infecção podem ser muito semelhantes pelo que se impõe uma actuação rápida.
Se houver suspeita de meningite, o médico pedirá uma série de exames que permitirão identificar a causa e, em função dela, decidir o tratamento. Um dos testes essenciais consiste numa punção lombar, mediante a qual se retira uma amostra de líquido da espinal medula. Este fluído é depois colocado em cultura, o processo através do qual se detecta o agente causador da infecção.
 
Sintomas
Os sintomas dependem da idade da pessoa e do tipo de meningite. Contudo, existe um conjunto de sinais clássicos a que importa estar atento e reagir:
·         Febre elevada
·         Dores de cabeça intensas
·         Náuseas e vómitos a acompanhar as dores de cabeça
·         Pescoço rígido
·         Confusão mental
·         Convulsões
·         Sensibilidade à luz
·         Perda de apetite
·         Letargia
·         Insónias ou sonolência excessiva
·        Nos mais pequenos: choro constante, irritabilidade invulgar, sonolência, perda de apetite, fontanelas salientes.
 
Perante estes sintomas, importa consultar de imediato um médico: se a meningite for bacteriana, impõe-se uma intervenção rápida, sob pena de haver complicações a nível do sistema nervoso ou até de estar em perigo a vida.
 
Evitar o contágio
Como já referi, é fundamental actuar rapidamente nos casos de meningite bacteriana, o que passa pela hospitalização da criança e adopção de tratamento adequado em função do agente causal e da gravidade. Outros tratamentos mais específicos visam lidar com as complicações de uma meningite bacteriana.
Quanto à meningite viral, nem sempre requer internamento, podendo ser tratada em casa. Nestes casos, os antibióticos não são eficazes, não existindo medicamentos antivirais próprios (excepto quando a causa é o vírus herpes). Assim, o tratamento passa por aliviar os sintomas, incluindo a administração de medicamentos para as dores e febre, repouso e ingestão de líquidos.
Muitos dos casos de meningite resultam de infecções que são contagiosas, com os agentes causadores a espalharem-se de corpo em corpo através das partículas que se libertam da garganta e do nariz das pessoas doentes. Tosse, gargalhadas, espirros, uma simples conversa pode ser o suficiente para espalhar essas partículas que viajam pelo ar até se alojarem noutro organismo.
Maior risco correm, pois, as pessoas que estão em contacto próximo e prolongado umas com as outras.
É esta possibilidade de contágio que torna crucial a prevenção, concretizável com alguns cuidados simples mas eficazes: não partilhar utensílios como talheres e copos; não partilhar toalhas, lenços ou guardanapos; lavar bem as mãos antes de manipular alimentos e de comer, depois de ir à casa-de-banho, de tocar em animais ou de passar muito tempo em ambientes cheios de gente. São cuidados que os adultos devem adoptar e ensinar às crianças, dando o exemplo e mostrando efectivamente como se faz.
Como em muitas outras doenças, a vacinação é a melhor das prevenções. Algumas formas de meningite bacteriana já têm uma vacina: é o caso da causada pelo bacilo influenza do tipo b (Hib) e, mais recentemente, pelo meningococo tipo C (MenC) que entrou em 2006 no nosso Programa Nacional de Vacinação.
Nenhuma destas vacinas oferece protecção contra todos os agentes causadores de meningite, mas têm contribuído para reduzir a incidência de uma doença que continua a assustar muito os pais.
 
Prevenir é vacinar
Desde Janeiro de 2006 que o Programa Nacional de Vacinação integra uma vacina contra a meningite. Não oferece protecção contra todos os tipos da doença, mas apenas contra a causada por meningococos do serogrupo C (MenC). Trata-se de uma vacina com um elevado grau de segurança e eficácia. Confere uma protecção duradoura, com características que permitem a sua administração a crianças com menos de dois anos.
Aliás, o esquema de vacinação em vigor inclui duas doses da vacina no primeiro ano de vida — aos três e aos cinco meses — e uma outra dose no segundo ano de vida, aos 15 meses.
Este é o esquema aplicado às crianças nascidas a partir de Outubro de 2004, sendo que para as nascidas antes está a ser desenvolvida uma campanha de vacinação paralela dirigida a menores de 18 anos que nunca foram vacinados ou que receberam apenas uma dose de MenC antes do ano de idade.
Esta vacina faz parte do Programa Nacional de Vacinação, o que significa que é administrada gratuitamente em todos os centros de saúde.
publicado por Flor às 12:33
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